Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Morumbi vai à rua protestar por segurança

Presidente da Associação de Paraisópolis afirma que moradores da favela não foram convidados

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

"Não dá mais!", diz o empresário Maurício Baccini, de 54 anos, indignado com a "falta de impunidade" no Morumbi, na zona sul de São Paulo. "É preciso dar um basta! E mudar a lei. Atualmente, não adianta fazer a denúncia do assalto. Sem o flagrante, o coitado (do delegado) não pode manter o bandido na cadeia", diz Baccini, acompanhado da golden retriever Alessandra, de 4, que usa marias-chiquinhas presas por laços cor-de-rosa.

Baccini estava entre os 2,5 mil moradores do bairro, segundo cálculos da Polícia Militar, que participaram ontem de uma manifestação para reivindicar policiamento na região. A concentração aconteceu na Praça Vinicius de Moraes, que fica em frente ao Palácio dos Bandeirantes e tem ao redor dezenas de casas com placas de aluga-se e vende-se.

Segundo a PM, que na semana passada desencadeou uma ação para coibir crimes na área, houve mais furtos e roubos a casas ali no mês passado do que em junho. Eles não dão números.

Celso Cavallini, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Portal do Morumbi, disse que os moradores querem mais efetivo policial e uma base fixa da PM na favela Paraisópolis. A maioria considera a favela, segunda maior de São Paulo, com cerca de 100 mil habitantes, o principal foco de violência na região.

"Mesmo se eles usam revólver de plástico, você fica muito traumatizado!", diz Cavallini. Ao megafone, a diretora comercial Ana Paula Freitas orientava as pessoas a formar um cordão humano ao redor da praça. Recolheram-se 3.545 assinaturas.

O capitão Cláudio Barbosa, que coordenava a segurança na manifestação, afirmou que as ocorrências no Morumbi estão "controladas". "Acontece que, quando há um crime violento, a mídia bate mais."

"Sabe o que eu acho? O bandido perdeu o respeito (pelo morador do Morumbi)", diz o empresário Jorge Toquetti, de 52. "Estão dando pouco tiro no assaltante, e a gente que leva."

Toquetti e os outros participantes do protesto preferem falar em policiamento e punição. "Uma parte dessa população (os assaltantes) já era, amigo, não dá mais para recuperar", acha.

Apesar de Cavallini afirmar que "99,9% de Paraisópolis são de gente boa, que também sofre com a violência", não foi encontrado nenhum representante da favela no protesto. "Soltaram um boato (na favela) de que quem aparecesse ia se arrepender", diz.

Convite. O presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, afirmou que a comunidade não participou "porque não foi convidada". "Achamos legítima a manifestação, até porque nós precisamos fazer muitas para Paraisópolis poder existir", afirma.

Inês Moraes, de 55 anos, era a única empregada doméstica da passeata - gastou a folga no protesto por segurança. "Não são só os "rico" que estão sendo roubado, as "dita" também!", afirmou. Ela conta que foi assaltada perto do Shopping Jardim Sul.

De passagem, a arquiteta Ana Luiza Rosa, de 43, ri do protesto e diz: "Era para ser um panelaço, mas a patroa não sabe onde estão as panelas, e a empregada está de folga!!".

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