Morumbi: um bairro marcado por contrastes e amor ao futebol

Morumbi: um bairro marcado por contrastes e amor ao futebol

Dois fatos marcam o desenvolvimento da região: a construção do estádio do São Paulo e a mudança da sede do Governo do Estado

O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 13h10

Dono de uma das rendas per capita mais elevadas da cidade, o Morumbi é um bairro de contrastes, acolhendo de modernos casarões a precárias moradias. Em seus limites localizam-se a sede do governo paulista, o Palácio dos Bandeirantes, e o maior estádio particular do país, de propriedade do São Paulo Futebol Clube, com capacidade para 60 mil pessoas – praticamente dois terços da população do bairro. 

A história do bairro remete a 1815, quando o inglês John Rudge comprou cerca de 700 alqueires de terra e construiu a Fazenda Morumby (naquela época com “y”), dedicada ao cultivo de chá, e uma capela simples, que sobreviveram ao tempo e hoje abrigam uma casa de cultura. Afastada do centro de São Paulo, a região, predominantemente rural, é o resultado do loteamento de chácaras e pequenas fazendas e só se tornaria área residencial a partir de 1948, com a expansão e o crescimento da capital.

E não demorou para muitas famílias ricas paulistanas adotarem como lar as sinuosas ruas da região. Uma das primeiras residências do bairro foi a Casa de Vidro, projetada por Lina Bo Bardi no início dos anos 1950, um marco da arquitetura moderna paulistana. 

Dois fatos marcam o desenvolvimento do bairro na década de 60: a construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, do São Paulo Futebol Clube, e a transferência da sede do Governo do Estado de São Paulo quando, em 1964, o governador Adhemar de Barros negociou o enorme prédio com a família Matarazzo, em troca de dívidas. 

Mas o interesse pela região aumentou mesmo no início dos anos 70, com a saturação de bairros como Itaim Bibi, Campo Belo, Moema e Pinheiros. O lugar ganhou novos e importantes empreendimentos: o Condomínio Portal do Morumbi, o Hospital Albert Einstein, o Colégio Visconde de Porto Seguro, mais casas e alguns grandes prédios residenciais. Aos poucos o comércio também foi chegando e dois Cemitérios foram inaugurados: o da Paz, em 1965, e o Morumbi, em 1968.

Nessa época, acompanhando a expansão da infraestrutura do bairro, toma corpo a ocupação da favela Paraisópolis, a segunda maior da capital paulista, resultado da divisão da antiga Fazenda Morumbi em 2.200 lotes, onde hoje vivem cerca de 56 mil pessoas. A partir de 2005, a área começou a receber recursos para urbanização e legalização: abertura de vias, canalização de córregos, construção de unidades habitacionais etc.

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