Morumbi quer mudar nova linha do metrô

Moradores foram ontem à Companhia levar propostas de traçado e inclusão de estação

Ana Bizzotto, Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Desapropriação. Moradores temem receber indenização inferior ao valor de mercado e acreditarem que a região será degradada                

 

 

 

 

 

Moradores do Morumbi pedem alteração na Linha 17-Ouro do Metrô, que vai ligar o Estádio do Morumbi ao Aeroporto de Congonhas. O ramal será feito em monotrilho - trem suspenso em pilares com 15 metros, que roda sobre pneus. Custará R$ 3,17 bilhões e vai desapropriar imóveis em 132,3 mil metros quadrados em bairros de classes alta e média, incluindo, além do Morumbi, Granja Julieta e Campo Belo.

Ontem, uma comissão de moradores se reuniu com representantes do Metrô para sugerir mudanças no traçado e a construção de uma estação para atender a população da Vila Andrade. Rosa Richter, vice-presidente da Associação Cultural e de Cidadania Panamby, contou que os moradores reclamam da alteração da paisagem do bairro com a estrutura de aço e concreto que vai sustentar a linha.

A preferência ainda é por um ramal de metrô subterrâneo. A estação proposta ficaria na esquina das Ruas Itapaiuna e Deputado João Sussumu Hirata. "Não estamos aprovando o traçado. Do jeito que estão planejando, vão cortar de uma forma muito drástica o Morumbi. E a Estação Paraisópolis ficará muito longe da população da Vila Andrade. As pessoas continuariam usando carro para ir ao metrô, não tem cabimento", diz Rosa. "O Morumbi realmente precisa de mobilidade. Mas não de qualquer forma. Precisa de mais planejamento para abranger o maior número de pessoas possível."

Enquanto os vizinhos da futura linha temem a degradação do entorno das propriedades, os donos de casas sujeitas à desapropriação se incomodam com a ideia de serem obrigados a sair do local e receber indenização menor que o valor de mercado.

"Essa obra vai violentar o bairro. É um absurdo derrubarem as casas. Se for semelhante ao Minhocão, vai ter aquele monte de viciados em droga", afirma o engenheiro aposentado Lauritz Ommundsen, de 72 anos. Para ele, outra solução poderia ser estudada. "Penso no coletivo, um sistema de transporte poderia e precisa ser feito, mas não o monotrilho. Poderia ser o VLT (veículo leve sobre trilhos)", sugere.

Impacto. O estudo ambiental da Linha Ouro alerta para "redução da qualidade de vida da população" vizinha, por causa do impacto visual do monotrilho e do aumento de circulação de pedestres nas áreas próximas das 19 estações previstas. Mas tudo seria compensado com medidas mitigadoras.

Também está prevista a construção de uma avenida de quatro quilômetros entre o Estádio do Morumbi e a Marginal do Pinheiros. A via cortará Paraisópolis. No bairro, a notícia do monotrilho foi bem recebida, segundo o presidente da União dos Moradores, Gilson Andrade. "O metrô aqui é um sonho que a comunidade espera há muito tempo. Vai valorizar tudo porque onde tem metrô aumenta a infraestrutura." Cerca de 500 famílias já foram removidas e as obras da via estão em andamento.

O governo estadual alega que a nova linha beneficiará o meio ambiente, com diminuição de poluentes na atmosfera. Haverá a retirada de 585 linhas de ônibus - das 955 que servem as regiões de Ibirapuera e Santo Amaro. Isso retiraria 247 quilos de monóxido de carbono do ar por dia.

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