Sergio Castro/AE-26/5/2004
Sergio Castro/AE-26/5/2004

Morto sindicalista que denunciou máfia de fiscais

Afonso foi ouvido em inquérito que apura extorsões e agressões em nome de sindicato

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2010 | 00h00

O presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, Afonso José da Silva, foi assassinado ontem à tarde na sede da entidade, na Rua Brigadeiro Machado, no Brás, centro. Até a noite de ontem, a polícia não havia esclarecido o crime, mas suspeitava que ele estava ligado a disputas entre os ambulantes da região.

Afonso Camelô, como era conhecido, ficou famoso em 1999, quando escapou de um atentado e denunciou a existência da Máfia de Fiscais, que achacava ambulantes. O esquema era controlado por administradores regionais e vereadores da cidade (leia ao lado). "Quem o matou provavelmente o conhecia, pois entrou no sindicato e foi até a sala dele", disse o delegado Aldo Galiano Junior, titular da 1.ª Delegacia Seccional de Polícia. Segundo a Polícia Militar, o sindicalista foi atingido por três tiros.

Feira. Segundo ele, Afonso havia sido ouvido recentemente em um inquérito que apura extorsões de dinheiro e agressões cometidas em nome do sindicato. "A Prefeitura nos procurou há oito meses com a denúncia", afirmou. De acordo com a acusação, homens em uma motocicleta passavam pelo Brás recolhendo dinheiro dos vendedores ambulantes sob a alegação de que serviria para pagar propina para a Prefeitura e a Guarda Civil.

Afonso foi chamado pela polícia e disse que o sindicato recolhe contribuições para financiar seu trabalho social, como a entrega de cestas básicas. De acordo com a polícia, o sindicalista negou relação com os homens que recolhiam o dinheiro na moto. "Há quatro sindicatos na região que estão em conflito e dizem representar os camelôs", contou o delegado. O dinheiro seria pago pelos ambulantes que trabalham na chamada feira da madrugada, no Brás, e no comércio do bairro durante o dia.

Segundo a polícia, desde que a Prefeitura assumiu a feirinha da madrugada, em novembro, após o Estado mostrar que o local não tinha alvará de funcionamento havia ao menos quatro anos, começou uma guerra entre os camelôs. Afonso era tido como um dos criadores da feira.

Após ser baleado, o sindicalista ainda foi levado ao Hospital Tatuapé, na zona leste, em estado gravíssimo, onde morreu. No fim da tarde, o departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu as investigações do caso. / COLABORARAM MARÍLIA LOPES E PEDRO DA ROCHA

PARA LEMBRAR

Vítima foi acusada de extorsão

Um dos ambulantes que denunciaram o esquema de recolhimento de propina para vereadores e fiscais da Prefeitura, Afonso José da Silva sofreu um atentado em fevereiro de 99. Nos anos seguintes, sempre esteve à frente de protestos de camelôs no Brás. Em 2006, ficou preso por seis meses acusado de extorsão: era acusado de lotear pontos e cobrar por eles.

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