Mortes por gripe suína quadruplicam

Casos passaram de 55 para 215 em menos de dois meses no Estado de São Paulo; capital concentra metade das ocorrências

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h04

O número de pessoas que morreram em decorrência da gripe suína (H1N1) quadruplicou nos últimos 51 dias em São Paulo. O total de mortes passou de 55, em 12 de maio, para 215, de acordo com dados atualizados da Secretaria de Estado da Saúde - a alta é de 290%. Em todo o Brasil, o vírus já matou pelo menos 339 pessoas.

O caso mais recente no Estado foi confirmado anteontem pela Secretaria Municipal de Saúde de Jundiaí, município que fica a 60 quilômetros da capital. A vítima é um homem de 56 anos, portador de diabetes e hipertensão, que não foi vacinado contra a gripe. É o sexto caso ocorrido na cidade.

O Estado teve confirmados 1.367 pacientes infectados com H1N1 desde 1.º de janeiro. Desse total, 663, ou 60% dos casos, foram registrados na Grande São Paulo. A capital soma o maior número de mortes: 101 até agora. A secretaria ressalta que 70% dos pacientes que morreram apresentavam algum problema, como doenças crônicas relacionadas ao coração.

"O certo é não termos nenhuma morte, já que se trata de uma doença imunoprevenível. Mas essas mortes aconteceram em pessoas que estavam suscetíveis e não tomaram a vacina", avalia a gerente de Vigilância Epidemiológica de Jundiaí, Solange Nogueira Marchezini.

Segundo classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus influenza A (H1N1) é de gripe comum, assim como outros em circulação pelo País, e, por isso, não prevê notificação compulsória. A pasta estadual explica que apenas casos graves, caracterizados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), devem ser automaticamente informados.

Neste ano, 6.095 pacientes com SRAG foram confirmados, já somados os 1.367 casos de H1N1 - número que representa 78% de todo o País. Desta lista, além das mortes por influenza A, constam ainda outras 26 vítimas do influenza A ou B, a gripe comum.

O governo não explicou ontem os motivos da alta. Em maio, a Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde apontou a chegada antecipada do frio como uma das possíveis causas.

Em São Paulo, a Secretaria da Saúde distribuiu cerca de 5 milhões de doses de Oseltamivir, antiviral indicado para combater gripes classificadas como SRAG. O medicamento deve ser fornecido gratuitamente nas unidades de saúde municipais, mesmo para pacientes com receitas assinadas por médicos particulares ou de planos de saúde. Na capital, as farmácias da Rede Dose Certa também dispõem do remédio.

Para que a droga tenha efeito desejado, a recomendação é que sua prescrição ocorra em até 48 horas após o início dos sinais agudos de gripe, como dores nas articulações e febre alta. "O Oseltamivir diminui a carga viral no paciente e a duração dos sintomas, melhora o prognóstico da doença e impacta diretamente na diminuição do número de casos de mortes, principalmente em pacientes portadores de comorbidades", informa a secretaria.

Recomendações. A prevenção segue como o principal remédio, especialmente em dias frios, quando as pessoas se concentram em locais fechados. Entre as principais recomendações estão lavar a mão várias vezes ao dia - com sabão ou álcool em gel -, cobrir a boca com um lenço ou a mão quando tossir, buscar ambientes arejados e evitar sair de casa quando estiver com sintomas da gripe, além de se alimentar adequadamente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.