JB Neto/Estadão
JB Neto/Estadão

Especialistas criticam a metodologia adotada pela SSP em São Paulo

Eles discordam de regra que não considera homicídio as mortes em confronto com a polícia; pasta diz adotar norma internacional

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

27 de janeiro de 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Especialistas em segurança pública e entidades de Direitos Humanos ouvidos pelo Estado contestaram a metodologia da Secretaria da Segurança para comemorar a queda histórica dos homicídios.  (veja mapa da criminalidade bairro a bairro).

Professora da Universidade Federal do ABC (UFABC) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Camila Nunes Dias reconhece que existe uma tendência de queda há mais de uma década. Mas discorda da metodologia em que casos de pessoas que morrem em confronto com a polícia e também de policiais mortos não sejam considerados homicídios. “Independente das circunstâncias dos casos, são homicídios”, disse Camila.

Para o coordenador de Justiça do Conectas (ONG de Direitos Humanos com reconhecimento internacional), Rafael Custódio, a secretaria erra ao diferenciar o número de casos com o respectivo número de vítimas. “A chacina que deixou 19 mortos, no ano passado, foi registrada como uma ocorrência”, disse. 

Segundo ele, é preciso mais investimentos em perícia, tecnologia e inteligência policial para evitar os grandes crimes. “A prevenção é o caminho. As cadeias estão superlotadas, 9 mil pessoas são presas por mês em São Paulo, e 10% da população carcerária está envolvida com homicídio. Apenas a repressão não resolve”, afirmou.

Comparação. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública explicou que “a comparação entre letalidade policial e a taxa de homicídios é indevida, conforme a classificação internacional da UNODC (agência da ONU que trata de drogas e crimes)”. “A primeira é formada pelas mortes decorrentes de intervenções policiais legítimas.” A SSP destaca que outros Estados adotam mesmos critérios. 

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