Mortes fazem força-tarefa intervir em centro juvenil

Uma força-tarefa com integrantes da Justiça, do Ministério Público e do governo do Distrito Federal adotou um conjunto de medidas para conter uma onda de mortes que vem aterrorizando a Unidade de Internação do Plano Piloto (UIPP), antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), que abriga menores infratores, em Brasília. Foram quatro assassinatos neste ano no local - três em 20 dias.

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2012 | 03h07

A última vítima foi Ronald Ferreira de Barros, de 15 anos, encontrado enforcado dentro do alojamento no sábado, dia de seu aniversário. O rapaz, que cumpria 9 meses de pena por tentativa de homicídio, foi encontrado nu e com duas faixas no pescoço.

Entre as medidas em análise não está descartada a abertura de ação civil pública contra o governador Agnelo Queiroz, o secretário de Segurança e a direção do centro, que conheciam os problemas e não adotaram medidas eficazes para evitar as mortes. A primeira solução adotada pela força-tarefa foi separar os internos por idade, a começar pelo isolamento dos que já têm 18 anos, incluindo os líderes dos atos de violência recentes.

Foi determinado ainda reforço na segurança, que se estenderá 24h por dia, com equipes de plantão para monitorar os internos durante a noite nos alojamentos de dormir, quando acontecem muitos dos ataques.

A polícia e o MP apuraram que o menor morto teve desentendimento recente e foi transferido para outra ala de internos, onde havia rivais. "Ele apelou para não ser transferido, mas a direção do centro ignorou", constatou a deputada Érika Kokay (PT-DF), que participou de uma comissão de inspeção que visitou ontem a unidade. Segundo ela, houve falhas de segurança. "A situação é de tensão e o Estado tem responsabilidade."

O governador anunciou rigor na investigação, mas ressalvou que o problema é antigo e vem adotando medidas estruturais para solucionar a situação, "que é fruto de anos de descaso". Ele anunciou a desativação da unidade, que será demolida, e a construção de cinco menores.

Outros casos. Outro assassinato aconteceu em 1.º de setembro, ocasião em que uma facção ameaçou matar um interno a cada semana, em protesto contra a superlotação (420 internos, onde cabem 162) e o rigor maior na disciplina. As mudanças foram definidas em junho, após uma onda de rebeliões - numa delas, 17 internos fugiram. Mas as autoridades não estão certas de que há conexão entre o homicídio deste fim de semana e outros casos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.