Mortes caem em feriados e crescem em outros dias nas estradas que saem de SP

Balanço inédito. Número de acidentes fatais passou de 157 para 165 na comparação entre os quatro primeiros meses de 2012 e de 2013. Explicação envolve a baixa velocidade dos veículos nos dias de maior movimento e a ampliação na fiscalização estadual

BRUNO RIBEIRO, BÁRBARA FERREIRA SANTOS, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2013 | 02h04

Apesar da divulgação de balanços com queda de mortes nos feriados prolongados, o número de vítimas nas rodovias estaduais que servem de acesso à capital cresceu nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento foi de 157 para 165 casos - o que demonstra o aumento de casos fora dos feriados. O balanço, inédito, foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação com a Polícia Militar Rodoviária.

Os dados mostram que as rodovias usadas pelos paulistanos nos feriados seguem tendência contrária ao que é observado no Estado. Somando as rodovias entregues à gestão de concessionárias com as estradas gerenciadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que inclui até estradas vicinais, o total de mortos caiu 9,4% do ano passado para cá. A frota de veículos cresceu quase 7% no mesmo período. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram 650 pessoas mortas, ante 720 em 2012.

Mas a Via Anchieta, por exemplo, um dos principais acessos ao litoral do Estado, teve duas mortes a mais neste ano do que no ano passado, totalizando 12 casos. Já a líder no crescimento de acidentes fatais é a Rodovia dos Bandeirantes, cujas mortes saltaram de 11 para 26. O balanço não inclui as Rodovias Fernão Dias, Régis Bittencourt e Presidente Dutra, que são fiscalizadas pela Polícia Rodoviária Federal.

Ações. O feriado que começa hoje é o quarto prolongado deste ano. Nos três anteriores - ano novo, carnaval e Páscoa -, o governo do Estado divulgou balanços com forte redução de acidentes nas rodovias estaduais, movimento que não se observa na comparação do ano todo nas rodovias usadas pelo paulistano para deixar a cidade. No ano-novo, a queda foi de 44%; no carnaval, de 41,5%. Já na Páscoa, a redução foi de 47%.

Dois fatores explicam a diferença. Primeiro, nos feriados prolongados há mais trânsito nas estradas, o que faz com que os carros trafeguem em velocidade menor. Além disso, nesses períodos, há um reforço na fiscalização feita pela Polícia Militar Rodoviária, que inibe o consumo de álcool. No carnaval, por exemplo, as blitze da Polícia Militar tiveram até equipamentos capazes de detectar o consumo de maconha e cocaína. Mas esse mesmo efetivo não está nas estradas no dia a dia.

"É um resumo do que ocorre no País. Em ocasiões especiais, há mais ações, há discussões sobre mudanças nas leis. Mas, para que realmente haja uma mudança no quadro de acidentes, é preciso que as leis que já existem sejam cumpridas", diz o consultor de trânsito Sérgio Ejzenberg, mestre em transportes pela USP. "A Polícia Militar Rodoviária tem um corpo excepcional, mas eles são poucos. Para que os números caiam, não há segredo: aumentar o número de policiais", afirma.

Reações. A Polícia Militar Rodoviária disse, em nota, que reforça o patrulhamento nas folgas prolongadas, mas afirmou que há prioridade "tanto nos dias normais quanto nos feriados". A PM, entretanto, disse que não tinha como analisar os a dados na tarde de ontem, véspera de feriado.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que tem a responsabilidade de fiscalizar essas rodovias paulistas, disse em nota que o número de mortos é o mais baixo dos últimos 12 anos, com queda de 52% desde 2000. "As ações que estão sendo feitas em conjunto com as concessionárias e a polícia estão surtindo efeito positivo."

A Autoban informou que as equipes de plantão estavam empenhadas nas ações do feriado e não teriam como comentar o balanço. E a Ecovias disse que sua área de concessão (que inclui as Rodovias Imigrantes, Padre Manuel da Nóbrega e Cônego Domênico Rangoni) teve queda de 25 para 23 mortes no período.

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