Morte por atropelamento cresce à noite

Segundo dados da CET, foram 215 casos em 2011, ante 206 em 2010, entre as 18h e a 0h

CAIO DO VALLE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h04

O índice de atropelamento à noite cresceu na capital. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indicam que as mortes entre 18h e meia-noite saltaram de 206, em 2010, para 215 em 2011, apesar de hoje completar um ano do programa de proteção aos pedestres. Trânsito livre e menos fiscalização acarretam a alta, dizem especialistas.

A reportagem percorreu 62 quilômetros de vias anteontem à noite. Das 21h15 às 23h35, foram avistadas três viaturas da CET. Nenhum bloqueio do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) foi encontrado. Ontem à tarde, entre 13h45 e 16h50, no mesmo trajeto, foram vistos oito viaturas, sete fiscais e duas motos da CET. Foram percorridas vias como a Tiradentes, Paulista, no centro, Domingos de Moraes, zona sul, Radial Leste, zona leste, Marquês de São Vicente, zona oeste, e Luiz Dumont Villares, zona norte.

A reportagem flagrou de dia menos infrações que põem os pedestres em risco. Já à noite, foi comum presenciar carros e motos em alta velocidade. Foram vistos quatro veículos furar o semáforo e passar sobre faixas de travessia onde havia pedestres.

"À noite, nunca vejo CET, mas se colocassem marronzinhos, o número de atropelamentos iria cair", diz o estudante Sandoval de Oliveira, de 20 anos, na Luiz Dumont Villares. "A fiscalização praticamente não existe. Daí vêm os abusos, as mortes, os pedestres atropelados na calçada", diz Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

A CET culpou o consumo de álcool e o excesso de velocidade pelas mortes e informou que "não é possível fazer uma avaliação consistente no aumento do número de mortes no período noturno sem que se faça uma avaliação do contexto em que essas mortes ocorreram".

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