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'Morte estúpida', diz viúva de idoso atropelado em ciclovia

Erenita Carvalho da Rocha conta que o marido acabara de se recuperar de uma doença; moradores farão protesto no domingo

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 14h19

SÃO PAULO - Erenita Carvalho da Rocha foi casada com o zelador de prédio Florisvaldo Carvalho da Rocha por 43 anos. Na segunda-feira, ele morreu após ser atropelado por uma bicicleta na ciclovia da Avenida General Olímpio da Silveira, no bairro Santa Cecília, região central de São Paulo.

"Fiquei desesperada. Ainda estou com o coração muito entristecido. Com muita dor de ter acontecido isso com ele. Ele se recuperou da doença e agora tem uma morte estúpida dessa", disse. "Até os nossos bichinhos (cachorros) estão sofrendo, estranhando. Ficavam no colo dele sempre".

Erenita disse que ficou sabendo do acidente por uma vizinha, que pediu a ela que descesse para ver o marido. "Estava estirado no chão. Eu já estava dando como morto, mas me disseram depois que o coração ainda estava batendo". A mulher só ficou sabendo da morte do marido horas depois, pelos filhos. 

Meses antes, quando passava pelo tratamento, ela relata que todos se preocupavam com o estado de saúde de Rocha. "Ele teve convulsões, andou na cadeira de roda. Fiquei mais de três meses dando banho nele". Depois de recuperado, houve comemoração. "Todos os vizinhos diziam que o 'seu Rocha', estava corado, com uma saúde boa". 

Ela disse que as reclamações sobre a ciclovia - já alvo de um abaixo-assinado - são frequentes. "Além de a avenida ser movimentada, com muitos carros e ônibus, agora tem esses ciclistas. É um lugar de movimento de muitas pessoas, que muitas atravessam", contou.

Protesto. O comerciante Jackson Ferreira Lima, de 65 anos, organizou uma manifestação em solidariedade a Rocha. O ato deve ocorrer no próximo domingo, às 10h, no local do acidente.

Ele disse ter trabalhado por 35 anos no mesmo local em que o amigo era zelador, na Alameda Jaú. 

"Queremos nos solidarizar com a família e pedir às autoridades que coloquem algum limite de velocidade. Não somos contra as ciclovias, mas os ciclistas passam muito rápido". 

De acordo com ele, há outros relatos de pessoas atropeladas na via. "Já era para termos feito um protesto antes. Ali é um ponto onde passam ônibus, tem muito pedestre. Não dá para ter bicicleta passando em alta velocidade", disse.

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