Morte em Sydney terá protestos em 2 países

Manifestação na cidade onde brasileiro morreu será hoje e em SP, no dia 30

JORGE BECHARA / SYDNEY , CAMILA BRUNELLI / SÃO PAULO , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 Março 2012 | 03h02

Com a família em choque, o governo brasileiro cobrando explicações da Austrália e a polícia ainda sem esclarecer os principais pontos da morte do brasileiro Roberto Laudisio Curti no domingo, já foram organizados dois protestos pela internet - em Sydney e em São Paulo.

Os amigos e familiares de Laudisio combinaram por redes sociais um protesto para hoje, no centro de Sydney - os detalhes não haviam sido confirmados até as 23 horas de ontem. No Brasil, outra manifestação deve ocorrer no dia 30, na frente do Consulado Geral da Austrália, na Alameda Santos, em São Paulo. A ideia é que cada um dos participantes leve um pacote de biscoito, para deixar na frente da representação diplomática.

Segundo informou o jornal The Sydney Morning Herald, o brasileiro seria suspeito de levar um pacote do produto de uma loja de conveniência, às 5 horas de domingo (hora local). A polícia foi avisada e, meia hora depois, iniciou a perseguição ao brasileiro na área de King's Cross, conhecida pela vida noturna. Cercado por seis agentes, ele foi alvo de pelo menos quatro golpes de uma arma Taser (pistola de eletrochoque). A polícia está averiguando câmeras da cidade e o resultado da necropsia e das investigações começarão a ser divulgados com mais clareza hoje.

Amigos disseram que o jovem - ex-estudante da PUC e da Faap de São Paulo, que estaria aprendendo inglês em uma escola em Bondi, na periferia de Sydney - foi confundido com outro suspeito. "Roberto Laudisio não precisava pegar nada e tampouco roubar, e todos nós sabemos disso. Já que foi morto por um pacote de biscoitos, devolveremos o quanto pudermos de pacotes de biscoitos para este país de 1.º mundo que se chama Austrália", diz o convite feito no Facebook a mais de 12 mil pessoas.

Na rede social, amigos do estudante ainda o homenageiam em seus perfis e colocam a foto de Roberto em seus avatares. O perfil de Roberto no Facebook foi apagado após a divulgação de que ele era a vítima brasileira morta na Austrália.

Itamaraty. O Itamaraty informou que permanece em contato permanente com a família da vítima e "deplora" o que ocorreu no domingo. "De qualquer maneira, a morte de um cidadão brasileiro nessas circunstâncias, qualquer que sejam as explicações, sempre será objeto de preocupação do governo brasileiro e nós lamentamos profundamente isso", afirmou o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

O cônsul adjunto do Brasil na Austrália, André Luís Costa Souza, diz que "as circunstâncias da morte do estudante continuam muito nebulosas". "O Consulado Geral do Brasil em Sydney e a Embaixada do Brasil em Camberra foram instruídos a prestar toda a solidariedade e apoio à família da vítima, bem como a solicitar os devidos esclarecimentos às autoridades australianas a respeito do ocorrido", destacou o Itamaraty, em nota oficial.

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