Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Morte de motociclista cresce 9,1% em um ano

Na comparação dos últimos 10 anos, os acidentes fatais mais que dobraram; em 2002, haviam morrido 3.744 motociclistas

O Estado de S. Paulo

19 Julho 2014 | 03h00

O Brasil teve 12.480 motociclistas mortos no ano de 2012, segundo os dados recém-divulgados do Ministério da Saúde. O aumento é de 9,1% em relação ao ano de 2011, quando morreram 11.433 pessoas, ou 264% maior do que o total de mortes em acidentes de trânsito registrados no período.

Na comparação dos últimos 10 anos, as mortes dos condutores de motos mais do que dobrou. Em 2002, haviam morrido 3.744 motociclistas.

O crescimento acompanha a explosão no número de veículos de duas rodas nas vias e estradas do País. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) revelam aumento de cerca de 300% no total de motos do Brasil na década, que passou de 4 milhões para 16 milhões de motocicletas. 

Acidentes. Duas particularidades cercam as estatísticas sobre acidentes de motos. A primeira é a concentração de casos nos Estados da Região Nordeste. 

Para se ter uma ideia, o Nordeste tem 4,5 milhões de motos em circulação e teve 4.820 mortes. Dá uma morte para cada 933 motos nas ruas.

O Sudeste tem 6,8 milhões motos e 3.358 mortes, ou uma morte para cada 2.038 motocicletas em circulação.

Acompanhando a redução total do número de mortes no trânsito, o Sudeste também registrou queda nas mortes de motociclistas, segundo os dados do governo federal. O outro fator, esse comum às regiões, é que cerca de um terço das mortes foi causada pelos próprios motociclistas.

Os dados dão detalhes das mortes em 7.849 ocorrências registradas em 2012. Delas, 2.763 ocorreram porque o motoqueiro caiu da moto ou bateu em um objeto fixo, como um poste ou um carro parado.

As colisões com caminhões ainda são o tipo de acidente mais fatal para os motociclistas, segundo os dados, respondendo também por um terço das mortes. Entre os acidentes em que não houve participação de outro agente exceto o próprio motoqueiro, 1.648 pessoas morreram depois de cair da moto e 1.115 morreram ao bater em objetos fixos na via.

Especialistas e condutores de motos apontam o resultado a dois fatores: primeiro, a imprudência dos motociclistas. Mas isso é associado ao segundo fator, a má formação desses condutores. 

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diz que “o problema é o homem”. Segundo ele, “93% de todos os acidentes de trânsito são causados por falhas humanas. Atos inseguros, manobras imprudentes, motos que desrespeitam as leis de trânsito e terminam caindo”, afirma. “O que nunca aconteceu é o Estado cumprir a determinação, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, de investir na educação. Deveria ser dos cinco anos de idade até a faculdade”, completa o especialista. 

O presidente do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, Gilberto Almeida dos Santos, concorda que a formação do motoboy é deficiente. “O sujeito nem tem contato com a moto direito e já é colocado na rua”, afirma. “Mas você não pode apontar só para um lado. É uma série de fatores. De um lado, há as ruas, que não são feitas para receber tantas motos. De outro, as vias são esburacadas, sujas, sem cuidado. Tem ainda a fiscalização das motos, que é pouca. E aí vem o motoqueiro, que muitas vezes não respeita os limites de velocidade”, afirma.

Bicicletas. Houve, em 2012, estabilidade em relação às mortes de ciclistas no País. Foram 1.492 casos em 2012 e 1.475 em 2011. Além da liderança dos Estados do Sudeste no ranking das mortes, com 505 ocorrências - foram 519 em 2011 - as estatísticas apontam crescimento de apenas três casos de um ano para o outro na Região Nordeste, de 297 para 300 casos. Em todos os Estados, o que mais mata ciclista é bater em caminhão. 

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