Morte de morador gera protesto e ônibus queimados no Jaçanã

Três ônibus foram queimados durante mais de três horas de confronto na zona norte de São Paulo

José Dacauaziliquá, Jornal da Tarde,

27 de agosto de 2009 | 00h28

Três ônibus foram queimados na zona norte em protesto por morte de morador. Foto: José Patrício/AE

 

Um grupo de moradores ateou fogo em três ônibus, na noite da quarta-feira, 26, no bairro Filhos da Terra, no Jaçanã, zona norte da capital paulista, em protesto contra a morte de um jovem envolvido em suposto tiroteio com policiais militares. Foram três horas de confronto e centenas de moradores e estudantes impedidos de voltar para casa, além de crianças isoladas numa escola. Não havia informações sobre feridos até as 23h45.

 

Segundo a Polícia Militar, eram 17h30 quando uma equipe da 1ª Companhia do 43º Batalhão suspeitou de dois rapazes na Rua 2, travessa da Rua Mário Lago, próximo de um campinho de futebol. Ainda de acordo com versão da PM, um deles, armado com revólver calibre 32, atirou contra os policiais militares. O rapaz foi baleado e levado para o pronto-socorro do Hospital São Luiz Gonzaga, onde morreu. O nome dele não foi divulgado.

 

Moradores disseram que, por volta das 18h30, cinco rapazes usando toucas ninja pararam um ônibus na Avenida Maria Amália Lopes de Azevedo. "O grupo se aproximou e exigiu que os passageiros descessem do coletivo", contou um morador, que pediu para não ser identificado. Outros dois ônibus também foram incendiados e um terceiro, apedrejado. A Polícia Militar foi avisada, mas a primeira viatura a chegar foi a do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), da Polícia Civil. O carro oficial teria sido recebido a tiros. Policiais militares de quatro batalhões cercaram a área, mas não conseguiram controlar a situação. A Tropa de Choque foi acionada e usou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar os manifestantes.

 

A presença da Tropa de Choque, porém, não intimidou os moradores mais exaltados. Segundo policiais, assim que uma barricada era destruída, os manifestantes montavam outra e ateavam fogo em pneus e madeiras. Um helicóptero da PM sobrevoou a área e passava informações da localização dos manifestantes. Enquanto isso, centenas de trabalhadores e estudantes ficaram parados nos bloqueios montados pela PM. Por volta de 21h30, a situação foi normalizada e os moradores puderam retornar para casa, gradativamente.

 

Antes disso, dezenas de alunos foram impedidos de deixar o Centro de Educação Unificada (CEU) Jaçanã, na Rua Mário Lago. Pais ficaram retidos nos vários bloqueios montados pela polícia na região e não conseguiram chegar até a escola. O último grupo de crianças deixou a unidade só no final da noite de ontem. O local abriga uma creche, uma Escola de Educação Infantil (Emei) e de ensino fundamental. Uma perua escolar, com cerca de 40 crianças, ficou parada no bloqueio e teve de desviar por outro caminho.

 

Após 22 horas, ainda houve focos de resistência, com um grupo de moradores atirando pedras nos policiais e os PMs respondendo com bombas de gás. Até as 23h45, não havia registro de feridos nem de prisões. Nenhum oficial da PM, responsável pela operação no bairro, se pronunciou sobre o caso.

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