Morte de ministro faz 1 ano, sem solução

OAB deve pedir na quinta que a investigação das mortes de José Guilherme Villela, da mulher e da empregada passe à Polícia Federal

Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2010 | 00h00

Um ano depois do assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, aos 73 anos, a investigação segue sem fim. E uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comandada pelo conselheiro Eduardo Toledo, vai pedir na quinta uma espécie de intervenção branca, sugerindo que o caso passe às mãos da Polícia Federal.

Villela, a mulher, Maria Carvalho, de 69 anos, e a empregada Francisca Nascimento da Silva, de 58, foram apunhalados 73 vezes, supostamente por mais de uma pessoa, em 28 de agosto de 2009. O crime aconteceu no apartamento onde moravam, em um residencial da Asa Sul. A polícia apresentou na semana passada a filha mais velha do casal, a arquiteta Adriana Villela, de 46 anos, como mentora dos assassinatos. Só que o suspense deu lugar a um vazio de provas.

Ainda hoje o que se destaca no processo é a troca de acusações entre os policiais civis encarregados da investigação. "Em vez de procurar pelos criminosos, a polícia investiga as infrações da própria polícia", constata o advogado e amigo da família Pedro Gordilho, que quer a transferência do caso para a PF.

O trabalho, protegido por segredo de Justiça, está há nove meses a cargo da Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida). Grupo de elite da Polícia Civil, a Corvida aponta uma série de equívocos na apuração inicial, sob o comando da delegada Martha Vargas, titular da delegacia da Asa Sul. Mas não deu sinais concretos de que vai elucidar o crime.

A diretora adjunta da unidade, delegada Mabel Alves de Faria, foi quem colocou Adriana como suspeita do crime. Um de seus argumentos é que a filha seria movida pela cobiça pela herança de mais de R$ 100 milhões e pelas brigas que teria com os pais para aumentar a mesada de R$ 8,5 mil. Mabel chegou mesmo a considerar que Adriana pode ter participado das execuções.

Uma das provas seria a identificação de suas impressões digitais no apartamento do casal. Outro ponto seria sua suposta ligação com a vidente Rosa Maria Jaques, que se colocou à disposição da delegada Marta para apontar os criminosos e conduziu os policiais até Vicente Pires, uma área pobre da periferia de Brasília, onde foram localizados três suspeitos: Rami Jalau Kaloult, Cláudio José de Azevedo Brandão e Alex Peterson Soares. A polícia teria encontrado com os dois últimos uma chave que abre a porta dos fundos do apartamento dos Villelas.

Eles foram presos, mas as prisões foram relaxadas por falta de provas consistentes. No entanto, é hoje dado como certo que um deles é quem vai depor para comprovar a tese de que Adriana é mesmo a mandante do crime.

Adriana, a vidente Rosa Maria e seu marido, João Toccheto, além do ex-agente da delegacia da Asa Sul José Augusto Alves e da faxineira dos Villelas, Guiomar Barbosa, tiveram a prisão preventiva decretada no dia 16. Os três primeiros foram acusados pela polícia de agir para desviar as apurações. O ex-agente foi responsabilizado por "plantar" a chave na casa de Claudio e Alex. A faxineira é suspeita por declarar que Adriana tinha um bom relacionamento com a mãe.

Defesa. Com exceção de Adriana, os demais foram beneficiados por habeas corpus. Já a arquiteta terá de esperar até quinta-feira por uma decisão. O advogado dela, José Eduardo Alckmin, garante que a Corvida move a acusação com base em "uma única testemunha", que identificou Adriana numa foto de jornal e disse tê-la visto com Rosa Maria. "Adriana foi monitorada por telefone e escuta ambiental e não acharam nada", alega.

Sobre as impressões digitais e o diário em que Maria reclama dos pedidos de dinheiro da filha, o advogado afirma que nunca houve animosidade entre eles e ressalta que Adriana visitava os pais regularmente.

Já a Polícia Civil afirma que todos os seus atos "foram praticados por autoridade legal, com manifestação do MP e cumpridas todas as formalidades".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.