Mortandade de peixes chega a 40 toneladas em Salto

Mortandade de peixes chega a 40 toneladas em Salto

Desastre ambiental causou revolta nos moradores que protestaram com lenços, rostos pintados e cartazes na beira do rio

CHICO SIQUEIRA , Especial para O Estado

30 de novembro de 2014 | 19h40

ARAÇATUBA - Ao menos 40 toneladas de peixes foram mortas pela manta de poluição que escureceu as águas do rio Tietê, na última quinta-feira, 27, em Salto. A mortandade é a maior já registrada no município; a média era de 500 gramas por peixe morto, segundo o secretário de Meio Ambiente de Salto, João De Conti Neto. Os cardumes que subiam o rio Tietê para desovar nesta época de piracema, entraram no Córrego do Ajudante, numa tentativa desesperada de fugir da manta poluidora. Mas o córrego, que é raso, não tinha oxigênio suficiente e os peixes morreram asfixiados.

O desastre ambiental causou revolta nos moradores que protestaram com lenços, rostos pintados e cartazes na beira do rio, enquanto equipes da Prefeitura trabalhavam, das 7h de sábado às 16h de domingo, para retirar os cardumes que já apresentavam mau-cheiro e atraíam urubus. A Prefeitura convocou cerca de 20 funcionários e precisou usar uma máquina retroescavadeira, com braços longos e uma concha, para retirar tantos peixes da água.

Os peixes eram colocados em caminhões e depois de pesados, eram enterrados. Mesmo assim, centenas de quilos não puderam ser retirados e espera-se que sejam levados pela correnteza com as próximas chuvas. “Fizemos 11 viagens de caminhões com cerca de 70 toneladas de peixes, água e sujeira. No final, só de peixes, constatamos que a mortandade atingiu 40 toneladas, no maior desastre desta natureza no nosso município”, declarou o secretário. “É uma tragédia inestimável para a natureza. Desta vez pagamos caro demais pelo erro dos outros”, afirmou, se referindo que a culpa pelo acidente não é de Salto.

Para Conti Neto, “o mais revoltante” é que o município sequer foi avisado da existência da manta poluidora e assim não pode fazer quase nada. “Fomos pegos de surpresa na madrugada de quinta-feira, ninguém, a montante do rio, nos avisou sobre este problema”, contou. “Alguém poderia pelo menos nos ter avisado, assim como depois avisamos aos municípios que receberiam essa carga de poluição”, afirmou.

Segundo Conti Neto, o município está fazendo um relatório para enviar ao Ministério Público Estadual. “Precisamos encontrar os responsáveis por este crime ambiental”, afirmou o secretário, acrescentando “ainda são necessários muitos estudos para se confirmar a versão da Cetesb”. A agência ambiental divulgou nota, ainda na quinta-feira, afirmando que a manta foi causada pelo revolvimento de materiais sólidos, que estavam no fundo do Tietê e de afluentes e foram levados pela chuva.

A manta poluidora, segundo a SOS Mata Atlântica, atingiu uma extensão de 70 kms e passou por diversos municípios em sentido ao reservatório de Barra Bonita. A coordenadora da SOS, Malu Ribeiro, disse não acreditar na constatação da Cetesb. Segundo ela, a carga tóxica, formada por materiais sólidos e lodo, possivelmente saiu de algum reservatório, mas dificilmente seria removida do fundo do rio pela chuva. “Teria de chover muito. Pode ter ocorrido uma falha, não se sabe se foi intencional ou não”, comentou.

O secretário de Salto também colocou em dúvida a constatação da Cetesb. “Já vimos chover muito e a água escurecer por revolvimento de fundos, mas não dessa maneira, por tanto tempo e com tanto volume de água”, contou. “Mas agora vamos recorrer ao Ministério Público porque o acidente foi causado fora do município e só ele tem competência para apurar. Além disso, o município de Salto, que faz a lição de casa, não pode continuar pagando pelos erros dos outros”, completou.

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