Morre Seu Beto, um dos fundadores da Mocidade Alegre

Autor de três sambas-enredo, compositor faleceu aos 81 anos, com quatro décadas dedicadas à atual campeã do carnaval paulista

Gheisa Lessa, O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2012 | 13h12

SÃO PAULO - Mais de quatro décadas de dedicação ao samba, três sambas-enredo e dezenas de "filhos" lamentando a sua partida. Essa é a herança deixada por Alberto Alves da Silva, o Seu Beto, um dos fundadores da escola de samba Mocidade Alegre, que morreu aos 81 anos às 6h30 de segunda-feira, 8, no Hospital Ipiranga, zona sul da capital paulista.

A presidente da agremiação, Solange Cruz, informou que o sambista estava internado desde 17 setembro com anemia e foi diagnosticado com um tumor maligno na coluna. Chegou a receber algumas transfusões de sangue mas, debilitado, não resistiu à doença.

Seu Beto cantarolou Receita de Bamba - sua composição mais famosa - pela última vez em 16 de setembro, na quadra da agremiação. Na ocasião estava sendo escolhido o samba-enredo do ano que vem e, segundo Solange, já se percebia que o patrono da escola não estava bem.

História. Mesmo não presente na data de fundação da Mocidade, em 24 de setembro de 1967, Seu Beto é reconhecido como pai do grupo. Ainda na década de 70 ele trabalhou na construção da quadra de ensaios - a Morada do Samba - e nunca mais deixou de comparecer semanalmente ao número 3.498 da Avenida Casa Verde, no Bairro do Limão.

A escola, oito vezes campeã do Carnaval paulista - a última delas em fevereiro deste ano, em meio à confusão na apuração dos votos - conquistou o bicampeonato em 1972 cantando na avenida uma das composições dele: São Paulo, Trabalho, Floresta e Samba. Seu Beto também compôs os sambas enredo de 1979 - A Revolta dos Males - e de 1981 - Vissungo, Canto de Riqueza.

Receita de Bamba é um hino que ele escreveu e costumava cantar tradicionalmente em todas as finais de samba-enredo da Mocidade Alegre. No dia da final, quando se escolhe a letra do samba que embalará a agremiação na avenida, ele abrandava a disputa com os versos "O importante é competir/ Entrar no jogo e saber perder/ Ontem fui eu/ Amanhã poderá ser você".

"Eu praticamente nasci na Mocidade e não me lembro de nenhum momento da escola onde o Seu Beto não estava presente", diz a presidente da Mocidade. Apesar da fama na escola ele era reservado,conta ela, e ninguém sabia o endereço de sua casa. "Sempre que alguém dava carona para ele, ele pedia para ser deixado em frente a uma padaria no bairro da Aclimação", explica.

A agremiação publicou em seu site uma nota de falecimento. "Com a passagem de mais um de seus filhos, a família Mocidade Alegre, em oração, deseja que a alma do nossa sambista, percorra por uma linda 'Alvorada' ao reino dos céus, ao encontro de seus irmãos, também baluartes e fundadores da nossa escola, com a mesma poesia que eternizou a sua carreira a e sua escola", diz o comunicado. No final, é citado o trecho de um samba-enredo de sua autoria (veja íntegra).

O corpo de Seu Beto continuava, até a manhã desta terça, no Instituto Médico Legal (IML) do Brooklin. O irmão do compositor, Arnaldo Alves, deve chegar ainda hoje ao instituto para liberar o corpo para ser velado e enterrado. Segundo Solange, o cemitério que receberá a cerimônia deve ser o de Vila Nova Cachoeirinha, na Avenida Frederico Augusto.

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