Iara Morselli/ESTADÃO
Iara Morselli/ESTADÃO

Morre Sergio Mauad, ex-presidente do Secovi-SP

Engenheiro civil, Mauad foi presidente da entidade por duas gestões consecutivas; ele teve um AVC

O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 14h27
Atualizado 18 Agosto 2018 | 19h25

Ex-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o engenheiro civil Sergio Mauad morreu nesta sexta-feira, 17, aos 79 anos, vítima de um AVC. Defensor da livre iniciativa e do direito à propriedade, ganhou notoriedade por contribuir com propostas à Constituição de 1988 e por projetos sociais voltados para adolescentes em situação de risco. Ele deixa esposa, dois filhos e um neto.

Mauad trabalhou no Secovi desde 1965 e assumiu a presidência em 1987, função que exerceu por seis anos. Na época, era discutida a Constituição de 1988, em que atuou na defesa do direito à moradia, à propriedade e à livre iniciativa - princípios que foram incluídos no texto promulgado. Também agiu na concepção de textos como a Lei do Inquilinato.

“Ele reuniu uma série de entidades de todo o Brasil em tornos desses temas”, afirmou o incorporador Ricardo Yazbek, que o sucedeu na presidência do Secovi-SP em 1993. “Foi uma pessoa extraordinária, teve um papel muito inspirador para o setor e para o País.”

Para o deputado estadual Ramalho da Construção (PSDB), Mauad lutou por uma “Constituição cidadã”. “O País saía de um regime de exceção para um regime de liberdade. Foi importante não só para a democracia, mas para que os empresários tivessem condição de investir.”

Segundo o deputado, outra bandeira de Maud era escola para todos. “Ele tinha uma posição humanitária: pensava no social e no crescimento ao mesmo tempo”, disse. “A ausência de alguém com a autoridade e a liderança dele deixa um ‘grand canyon’ para projetos sociais.”

A opinião é compartilhada pelo atual presidente do Secovi, Flavio Amary. “Convivi com o Sérgio por 30 anos, foi uma pessoa que sempre se envolveu nas causas do País. Não apenas nas questões do setor imobiliário, mas no progresso”, afirmou. “Ele continuou colaborando com o Secovi até o último dia de sua vida. Era alguém mais do que especial.”

Como presidente, Mauad fundou a Associação Paulista Projeto Ampliar, com objetivo de profissionalizar jovens de 11 a 17 anos. Segundo Yazbek, o braço filantrópico da entidade também é reflexo da personalidade do fundador: “Em vez de dar o peixe, ensina as pessoas as pescar”. Lá, também atuou a esposa dele, Maria Helena. Até 2016, o projeto havia conseguido formar cerca de 52 mil jovens, com mais de 74 mil cursos.

Carreira

Engenheiro formado pela Escola Politécnica da USP, inaugurou há mais de 50 anos a empresa Sérgio Mauad Desenvolvimento Imobiliário (SMDI), que produziu mais de 1 milhão de metros quadrados de construção com incorporação própria e serviços a terceiros, atuando em edifícios residenciais, comerciais além de galpões industriais.

Foi diretor da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), onde atuava desde 1980. “Era uma figura única”, lembrou José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

“O Sergio era alguém de uma capacidade intelectual fantástica e, ao mesmo tempo, doce. Mesmo 20 anos depois de nos conhecermos, ainda recorria a ele para pedir um conselho. Ele nos fará muita falta.”

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