Morre o último cangaceiro

Considerado o último cangaceiro homem e um dos últimos integrantes do bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, Antônio Inácio da Silva morreu aos 100 anos na segunda-feira, em Belo Horizonte. O corpo de Moreno, como era conhecido no cangaço, foi enterrado na manhã de anteontem no Cemitério da Saudade, em meio a fogos de artifício. O ex-cangaceiro, que adotou o nome de José Antônio Souto após deixar o bando, vivia em Minas há 70 anos, para onde fugiu com a mulher, Jovina Maria da Conceição, a Durvinha, que morreu em 2008, aos 93 anos.

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

Moreno e Durvinha tiveram seis filhos. Na busca pelo irmão mais velho, Inácio Carvalho Oliveira, hoje com 72 anos, que havia sido deixado pelo casal de cangaceiros em Tacaratu (PE), Neli Maria da Conceição, de 60 anos, descobriu, em 2005, a verdadeira história dos pais. "Era um segredo que eles queriam que morresse com eles. Ainda tinham medo de ser descobertos e mortos." O casal chegou a Minas no fim da década de 1930, fugindo dos ataques das forças federais que dizimaram o grupo de Lampião - morto em 1938. Eles se estabeleceram em Augusto de Lima. Adotaram novas identidades e prosperaram vendendo farinha. Nos anos 1960, o casal se mudou para Belo Horizonte.

Homenagem. Os fogos no enterro foram pedidos por Moreno. "Ele nunca imaginou que teria o privilégio de ter uma cova. Sempre achou que ia ser morto, ter a cabeça cortada e ser comido por bichos no mato como os outros cangaceiros", disse Neli.

A história do casal será contada no documentário O Altar do Cangaço, dirigido pelo cearense Wolney de Oliveira. Segundo Neli, do bando de Lampião resta apenas Aristéia, de 92 anos, que mora na Bahia.

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