Morre no rio pescador que ficou 22 dias à deriva no mar

RIO

Clarissa Thomé e Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2011 | 00h00

Leandro Vidal Martins, de 34 anos, um dos seis pescadores capixabas que ficaram 22 dias à deriva, morreu na madrugada de ontem em decorrência de agravamento da insuficiência renal. Leandro estava internado desde 29 de junho na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Municipal Salgado Filho.

Outros dois pescadores permanecem internados. Gilney da Silva, que também está no Salgado Filho, deve ter alta até sexta-feira. José da Conceição, internado no Hospital Municipal Souza Aguiar, está estável, mas não há previsão de alta.

O estado de saúde de Martins agravou-se nos últimos dias. Segundo parentes, ele contraiu uma pneumonia e respirava com auxílio de aparelhos. No dia do resgate, o rapaz estava entre os mais fragilizados - sequer teve forças para deixar o barco. Foi carregado pelo colega Cristiano Pereira de Souza, de 33 anos, que recebeu alta no dia seguinte.

Souza contou, logo após ter sido salvo, que aquele havia sido o momento mais difícil para o grupo. "Eu tive forças para subir, mas tive de descer duas vezes para ajudar o Gilney e o Leandro. Enquanto isso, o barco estava afundando", disse.

O corpo de Martins será enterrado em Marataízes, no Espírito Santo, onde ele vivia com a mãe e 11 irmãos. Ele não era casado.

Além dos dois pescadores que tiveram alta um dia após o resgate, Zenildo de Oliveira Pacheco, mestre do barco, foi liberado pelos médicos na semana passada.

Perdidos. No dia 1.º de junho, depois de cinco dias coletando iscas perto da costa de Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense, os seis pescadores foram para mar aberto. Planejavam voltar no dia 9. Estavam no barco Witamar III, uma traineira de 12 metros.

Dias depois, uma pane mecânica deixou a embarcação à deriva e sem comunicação por rádio com o continente. A comida e a água potável foram suficientes apenas para os primeiros dias. Eles ficaram em alto mar, enfrentaram tempestades e passaram fome. O grupo sobreviveu bebendo urina.

O resgate ocorreu em 27 de junho, a 180 quilômetros da costa de Itajaí, Santa Catarina, por um navio italiano.

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