Morre no Rio o diretor Paulo Cesar Saraceni

Considerado um dos fundadores do Cinema Novo, estava internado desde outubro, depois um AVC

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2012 | 03h02

O cineasta Paulo Cesar Saraceni, de 79 anos, morreu no início da tarde de ontem no Hospital Federal da Lagoa, na zona sul do Rio. Ele estava internado desde outubro do ano passado, depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). A causa da morte foi disfunção múltipla dos órgãos. O velório será hoje no Parque Lage e seu corpo será cremado na segunda-feira.

Saraceni tinha mais de 50 anos de carreira e foi um dos fundadores do Cinema Novo. É atribuída a ele a frase "uma ideia na cabeça e uma câmera na mão", que se tornou lema do movimento.

Ele começou em 1959, com o curta-metragem Arraial do Cabo. A produção rendeu-lhe sete prêmios internacionais, notoriedade e uma temporada no Centro Sperimentale di Roma. Quando voltou ao Brasil, filmou Porto das Caixas (1962), a partir de um roteiro original do escritor Lúcio Cardoso. A parceria resultaria ainda em A Casa Assassinada (1974) e O Viajante (1998).

Duas de suas obras recentes são documentários. Em 1996, concluiu Bahia de Todos os Sambas, iniciado por Leon Hirszman na década de 1980, sobre um festival de música com artistas baianos na Itália. Em 2003, dirigiu Folia de Albino - Banda de Ipanema, sobre o bloco carnavalesco.

Seu último filme foi O Gerente, concluído no ano passado, mas ainda não lançado.

O presidente da Academia Brasileira de Cinema Roberto Farias lamentou a morte de Saraceni, de quem era amigo desde a década de 1960. "Quando morre um cineasta, principalmente, um que fez parte de um grupo que revolucionou o cinema no Brasil, fica o sentimento de que o cinema brasileiro fica mais pobre", disse. "Mas sabia que ele estava no hospital havia muito tempo. Quando um amigo está em uma situação dessas, a gente quase reza para que Deus acabe com seu sofrimento. É uma perda muito importante."

Saraceni era casado havia 35 anos com a atriz e produtora Ana Maria Nascimento e Silva.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.