Marco Antônio Carvalho/Estadão
Marco Antônio Carvalho/Estadão

Morre morador de rua baleado por PM em Pinheiros

Testemunhas relataram que os policiais apagaram vídeos de celulares de quem registrou a cena

Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 06h18
Atualizado 13 Julho 2017 | 10h15

SÃO PAULO - Um morador de rua baleado à queima roupa por um policial militar no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, morreu na noite desta quarta-feira, 12, no Hospital das Clínicas da capital. Ele foi identificado como Ricardo Oliveira Santos, de 38 anos, que trabalhava como catador de materiais recicláveis na região.

O PM flagrado por testemunhas disparando contra o homem prestou depoimento e foi liberado, ainda durante a noite. Ele deve responder a uma investigação da Corregedoria da corporação. O crime aconteceu por volta das 18h30, na esquina das Ruas Mourato Coelho e Navarro de Andrade, em frente a uma unidade do supermercado Pão de Açúcar.

A PM afirma que o agente foi ameaçado com um pedaço de madeira e, por isso, teria reagido. Testemunhas se revoltaram, filmaram a cena e duas pessoas disseram que tiveram celulares tomados pelos PMs e os vídeos, apagados. Imagens publicadas no Facebook mostram policiais colocando o homem ferido, inconsciente, dentro do porta-malas de uma viatura.

Testemunhas relataram que a polícia teria sido acionada porque Ricardo pedia comida na rua. O catador teria se revoltado com a chegada dos agentes e, quando pegou um pedaço de pau, um dos PMs disparou dois tiros na altura do peito dele. Em nota, os responsáveis pela pizzaria localizada na rua negaram que tenham chamado a polícia e ressaltaram que o restaurante estava fechado no horário do crime.

A morte foi confirmada pela assessoria de comunicação da PM na manhã desta quinta-feira, 13. A Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) deve se manifestar através de nota ainda nesta quinta-feira.

Na noite passada, em primeiro comunicado, a pasta afirmou que equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil estavam "em campo para colher elementos que constarão no boletim de ocorrência, que será registrado pelo departamento para investigação das circunstâncias". A SSP acrescentou que a "Corregedoria da PM também apura a ocorrência, como é de praxe e exige a resolução SSP 40/2015".

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