ROBSON FERNANDJES/AE - 30/03/2005
Patriarca do restaurante Fasano, Fabrizio Fasano morreu neste sábado ROBSON FERNANDJES/AE - 30/03/2005

Empresário Fabrizio Fasano morre aos 83 anos em São Paulo

Patriarca do Grupo Fasano deixa esposa, três filhos e sete netos; morte teve 'causas naturais', segundo assessoria de imprensa

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2018 | 16h52

SÃO PAULO - O empresário Fabrizio Fasano, de 83 anos, patriarca da rede de hotéis e restaurantes Fasano, morreu na madrugada de sábado, 24, na cidade de São Paulo, de causas naturais. Em texto publicado no Instagram, o grupo escreveu que a “presença, carisma e sorriso” de Fasano “serão lembrados com eterna saudade”. Nas redes sociais, Fabrizio Fasano Jr., um dos três filhos do empresário, disse: “Do seu jeito, você foi um super pai, querido por todos e com coração enorme, muitas vezes maior do que deveria. Que Deus te receba com o mesmo amor que recebia a todos.” 

Fasano nasceu em Milão em 1935, quando o pai, Ruggero, passava um período na Itália. Aos dois anos, mudou-se para o Brasil. Executivo com formação em Administração nos Estados Unidos, foi responsável por lançar o uísque Old Eight no País e foi publisher da Editora Abril. Parte da sua trajetória é contada na biografia Fabrizio Fasano - Colecionador de Sonhos, do escritor Ignácio de Loyola Brandão, lançada em 2013 pela Casa da Palavra. 

A gastronomia é uma tradição da família. Seu avô, o italiano Vittorio, chegou ao Brasil em 1890, quando começou a trabalhar em uma panificadora portuguesa. Em 1902, abriu a Brasserie Fasano, que produziu um dos primeiros panetones de São Paulo. Em entrevista ao Estado, em 2002, Fasano lembrou do período em que havia um restaurante Fasano no Jardim de Inverno do Conjunto Nacional, em plena Avenida Paulista, entre os anos 50 e 70. E foi por insistência do filho Rogério que a família voltou, nos anos 80, ao ramo.

Hoje, o grupo Fasano tem restaurantes em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Punta del Este. A partir de 2003, o grupo passou a fazer parte do ramo da hotelaria. Atualmente, o grupo tem seis hotéis e deve abrir duas novas unidades na Bahia: uma em Salvador e outra em Trancoso.

Legado de Fasano é celebrado por chefs de cozinha

Chef e dono de restaurantes como o Moma e o Mondo Gastronômico, Salvatori Loi, de 56 anos, veio da Itália para o Brasil em 1999 para trabalhar em um restaurante de Fasano. Segundo ele, Fasano cumprimentava a todos, costumava visitar a cozinha e acompanhava as inaugurações.

“Participava de todas e sempre dava força e positividade. Era um prazer estar e conversar com ele, porque era uma pessoa inteligente, que dava conselhos e tinha um coração grande. Era um gentleman, uma pessoa única. Foi um ponto de referência para mim.”

Fabrizio Fasano também foi homenageado por colegas de profissão nas redes sociais. No Twitter, o chef Claude Troisgros lamentou a notícia. “Grande perda hoje na nossa profissão. Fabrizio Fasano, um grande visionário, influenciou a gastronomia e a hotelaria no Brasil e no mundo com a sua personalidade própria”, escreveu.

O chef Jefferson Rueda, do A Casa do Porco, também comentou sobre Fasano, para quem trabalhou no início da carreira, no restaurante Parigi. Na postagem, disse que a experiência foi um dos maiores desafios que teve em toda a carreira. “Só tenho a agradecer por toda inspiração, legado, todo meu respeito eterno e sentimentos a todos familiares e amigos.”

Já o chef francês Laurent Suaudeau escreveu, também no Instagram: “Foi um privilégio ter trabalhado no Grupo Fasano, como consultor no Restaurante Parigi, e ter conhecido o Mr Fabrizio Fasano. Para mim, foi sinônimo de liderança no setor da hotelaria e restaurante no Brasil. Sempre com uma elegância invejável.” 

Fasano deixa esposa, os filhos Rogério, Fabrizio Jr. e Andrea, e sete netos. O velório ocorreu neste sábado, 24, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista. O enterro foi realizado na mesma data, no Cemitério da Consolação, em São Paulo. 

 

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Fabrizio Fasano, 'uma figura doce, um homem elegante e discreto'

Empresário do ramo de gastronomia morreu no sábado, 24, em São Paulo

Patrícia Ferraz, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2018 | 01h39

O empresário Fabrizio Fasano, de 83 anos, patriarca da rede de hotéis e restaurantes Fasano, morreu na madrugada de sábado, 24, na cidade de São Paulo, de causas naturais

Seu Fabrizio, como era conhecido na gastronomia, era uma figura doce, um homem elegante e discreto. Gostava de comer e beber e durante anos participou de uma confraria de vinhos que se reunia toda sexta-feira. Mas aprendeu tarde - e com amigos - a gostar de tintos e brancos. O negócio dele era o uísque e foi o gosto pelo destilado que motivou a abertura da fábrica Old Eight.

Era essa sua paixão e, nos anos 1960, ele vendeu o restaurante da Vieira de Carvalho e a marca Fasano, que tinha herdado. Não queria saber da vida de restaurateur. Mas no início dos anos 1980, J. Veríssimo, dono do Shopping Eldorado queria criar um pólo gastronômico no novo shopping e por sugestão do empresário José Victor Oliva, dono da boate Gallery, ligou para seu Fabrizio e o convidou para abrir um restaurante Fasano ali. Seu Fabrizio descartou a ideia, mas o filho Rogério, então 19 anos, ouviu a conversa e disse que queria, sim, abrir o restaurante. Acabou convencendo o pai.

O restaurante do Shopping durou três anos, depois, abriram o Fasano na rua Amauri, uma casa pequena, elegante (com belíssimas mesas de mármore preto com veios brancos) e com foco declarado na alta gastronomia. Foi um sucesso. Três anos mais tarde, mudaram a casa para a Haddock Lobo, onde o Fasano se consagrou como uma das grandes grifes gastronômicas do País, que se expandiu com a entrada do grupo JHFS no empreendimento que tem hoje restaurantes e hotéis de luxo. Seu Fabrizio estava afastado dos negócios há alguns anos, em decorrência de problemas de saúde, que se agravaram após um AVC.

 

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