Duran Machfee
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Morre ciclista atropelado por ônibus na Avenida Paulista

Segundo testemunhas, ciclista vinha pela Brigadeiro Luís Antônio e entrou na avenida quando sinal estava aberto para o coletivo

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 14h21

Atualizada às 20h25

SÃO PAULO - O ciclista Marlon Moreira de Castro, de 35 anos, que trabalhava como entregador, morreu após ser atropelado por um ônibus na tarde desta segunda-feira, 27, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Brigadeiro Luís Antônio, região central de São Paulo. O motorista do ônibus, Silvio Ricardo de Carvalho, de 51 anos, que seguia pela Brigadeiro, sentido Ibirapuera, disse que o ciclista, que vinha na direção contrária, fez uma conversão à esquerda na Paulista, sentido Rua da Consolação, quando o sinal já estava aberto.

A bicicleta ficou embaixo do coletivo, completamente retorcida. Castro chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital das Clínicas. A versão do condutor é semelhante à apresentada pela Polícia Civil, baseada nos relatos de testemunhas. “Não deu para ver direito porque ele surgiu de repente. Quando eu vi, já tinha batido”, disse Carvalho, que trabalha há 19 anos na Viação Gatusa. “Eu jamais esperava uma coisa dessas, foi uma coisa, assim, de segundos. Nunca tive nenhum acidente.”


Carvalho prestou depoimento no 78.º Distrito Policial (Jardins), que investiga o caso. Ele foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e liberado. Funcionários da empresa em que Castro trabalhava estiveram à tarde na delegacia, onde recolheram a bicicleta da vítima, mas não quiseram falar com a reportagem.

Protesto. “Conhecia o Marlon havia 21 anos e ele sempre andava de bicicleta”, diz o amigo e também mensageiro Thiago Mourão, de 35 anos. Os dois se conheciam desde a adolescência no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, no ABC, onde Castro morava. “O que aconteceu foi uma decisão errada, infelizmente. O motorista do ônibus não teve culpa.” Castro deixa mãe e um irmão.

O mensageiro Rodrigo Vinicios, de 37 anos, que tem uma empresa de entregas de bicicleta, afirma ser contra protestos que já foram marcados nas redes sociais por causa da morte de Castro. “Ninguém sabe direito o que aconteceu e 40 minutos depois já marcam manifestação para parar a Paulista?” Um cartaz colocado em um poste, perto do local do acidente, questiona até quando haverá mortes como a de Castro no trânsito.

Mortes. No ano passado, 35 ciclistas morreram em acidentes de trânsito na capital paulista, de acordo com um balanço da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). De 2005 a 2013, a diminuição desse tipo de ocorrência foi de 62% - naquele ano, houve 93 acidentes com morte de ciclistas. A CET atribui a redução à fiscalização eletrônica de velocidade e à lei seca.

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