Morre atleta atingido por árvore na Avenida Brasil

Ricardo Dutra Nicácio, de 28 anos, foi atingido no domingo, enquanto corria; família autorizou a doação de órgãos

Ana Bizzotto, O Estadao de S.Paulo

19 Março 2010 | 00h00

O atleta e biólogo Ricardo Dutra Nicácio, de 28 anos, teve morte cerebral na manhã de ontem. No domingo, ele havia sido atingido na cabeça por uma árvore de cerca de 10 metros, enquanto corria com seu professor na Avenida Brasil, na zona sul de São Paulo.

Nicácio sofreu hemorragia craniana, passou por uma cirurgia e estava em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas. O instrutor Jorge Campos, de 53 anos, sofreu apenas ferimentos leves.

O velório e o enterro de Nicácio estão previstos para esta tarde, no Cemitério Parque Jaraguá, no km 23 da Rodovia Anhanguera. A família autorizou a doação dos órgãos de Nicácio, que foram retirados em uma cirurgia realizada na noite de ontem. A Secretaria de Estado da Saúde informou que foram doados coração, pâncreas, rim, fígado e córneas do atleta.

"Meu irmão vai salvar muitas vidas. Ele era muito humano, tenho certeza de que era isso que queria", afirmou a empresária Patricia Souza Nicácio, de 36 anos, sua única irmã. "Para mim ele está vivo, apenas foi para uma outra dimensão."

Nicácio e seu instrutor se preparavam todos os fins de semana para uma maratona que disputariam no próximo mês. No domingo do acidente, segundo o Corpo de Bombeiros, 110 árvores caíram em razão da tempestade registrada na capital, a maioria por causa de ventos que atingiram 80 km/h. No início do temporal, os dois corriam em busca de abrigo quando foram atingidos pela árvore. Preso embaixo dos galhos, Nicácio foi retirado pelo Corpo de Bombeiros. "É muito doído. Nunca vi um acidente como esse. Não me conformo", desabafou o microempresário Sérgio Nicácio, de 54 anos, tio do atleta.

Vida saudável. Segundo Patrícia, o irmão começou a correr em 1999. "A corrida foi uma superação para ele. O Ricardo era obeso e emagreceu correndo, nunca tomou remédio. Ele tinha uma alimentação saudável, eu o chamava de irmão natureba", brincou a empresária. Ela conta que Nicácio obteve bolsa para cursar Biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie por jogar handebol na faculdade. "Ele era muito dedicado a tudo que determinava para a sua vida."

O biólogo trabalhava há três anos como técnico de laboratório nas Faculdades Integradas Torricelli, em Guarulhos. "Ele gostava de Botânica e justamente uma árvore provocou a sua morte", lamentou o inspetor de alunos Evaristo Freitas, de 39 anos. "Perdi um grande companheiro de trabalho. Ele era calmo, compreensivo, dava conselhos. Em novembro, ele foi para o Rio, e até comentei que ainda o veria vencer uma maratona."

Noiva de Ricardo há um ano e meio, a assistente pedagógica Silvia Ascenso, de 30 anos, lembra que o atleta era uma pessoa "muito especial para todo mundo". "Ele era muito carinhoso e bem tranquilo. Tinha uma paz muito grande no coração e fazia tudo para agradar as pessoas que amava", conta Silvia.

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