Ana Purchio/Arquivo pessoal
Ana Purchio/Arquivo pessoal

Morre, aos 77 anos, o jornalista Adhemar Oricchio

Oricchio trabalhou durante mais de 40 anos no 'Estado', onde foi editor de Interior e um dos responsáveis por estruturar a Agência Estado

José Maria Tomazela e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2017 | 15h53
Atualizado 30 Novembro 2017 | 18h05

SÃO PAULO E SOROCABA - Faleceu, na manhã desta quinta-feira, 30, em São Paulo, aos 77 anos, o jornalista Adhemar Oricchio, após intensa luta contra uma leucemia. Paulistano da Mooca, Oricchio trabalhou durante mais de 40 anos no Estado, onde esteve à frente da editoria do Interior e participou da estruturação da Agência Estado, entre outras funções. Como editor, Adhemar Oricchio tornou-se uma referência para os jornalistas do interior, ajudando a organizar uma rede de correspondentes que chegou a ter 180 jornalistas, entre contratados e colaboradores.

Torcedor da Sociedade Esportiva Palmeiras, Oricchio exerceu o jornalismo até quando já estava debilitado pela enfermidade. Recentemente, ao deixar o hospital Santa Catarina, onde chegou a passar 33 dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), apresentou-se para o trabalho na assessoria de imprensa do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), sua última ocupação.

"Sempre foi reconhecido por ser um profissional extremamente competente e um ser humano de presença inigualável. Foi o responsável pelo desenvolvimento da Revista Escola Particular e pelo seu crescimento até os dias de hoje. Deixará muitas saudades em todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo", escreveu o sindicato nas redes sociais.

Adhemar cultivava forte vínculo de amizade com a antiga rede de correspondentes do Estado e se reunia anualmente com os jornalistas em cidades do interior, que o tratavam como "mestre". O último encontro foi em dezembro do ano passado, em Sorocaba.

Ao projeto Memória Estadão, desenvolvido por antigos colegas, ele se referiu ao jornal como "uma grande escola de jornalismo". Oricchio deixa a esposa Clélia, os filhos Sandro e Karina e os netos Camila e Carolina.

Ele será velado a partir das 20 horas desta quinta-feira e sepultado nesta sexta-feira,  1º, no Cemitério do Araçá, na zona oeste da capital.

Liderança

Colega de redação de Oricchio durante 14 anos, a jornalista Ana Purchio, de 52 anos, define Oricchio como um "líder nato", um editor que estava "sempre ajudando no trabalho de todo mundo". "Era uma pessoa exemplar, um ser humano completo, um jornalista que tinha muito para ensinar e muito para trocar com os outros jornalistas", afirma.

Para o diretor de planejamento institucional da agência DM9DDB, Raul Bastos, de 75 anos, Oricchio foi uma "figura fundamental" para a história do Grupo Estado. No período em que foi chefe da seção de sucursais e correspondentes, Bastos foi responsável por contratar Oricchio, a quem descreve como uma pessoa muito "agregadora".

"Estou muito triste. Lá se foi um homem íntegro e um profissional de primeira, um amigo de se guardar no peito. Ademar sempre foi do time dos grandes, com serenidade sem frieza, tolerância sem concessões e firmeza sem arrogância. É um notável agregador. Dom Helder (Câmara) dizia que existem mortos que não enterramos, e, sim, semeamos. O Ademar é um desses semeadores", escreveu Bastos em texto enviado a amigos.

 

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