Acervo pessoal
Acervo pessoal

Morre aos 67 anos Luiz Prado, ex-fotógrafo do Estadão

Profissional atuou também em jornais como Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil. Óbito ocorreu em decorrência de um quadro causado pela esclerose lateral amiotrófica, doença diagnosticada havia quatro anos

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 21h04

Morreu nesta segunda-feira, 26, aos 67 anos, o fotógrafo Luiz Prado em decorrência de um quadro causado pela esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa cujo diagnóstico havia sido realizado quatro anos atrás. Ele trabalhou por dez anos no Estadão, entre 1986 e 1996, tendo atuado ainda em publicações como Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil.

Definido por amigos como uma pessoa de personalidade brincalhona e um profissional destemido, Prado trabalhou até 2018 com uma agência própria, a Agência Luz, onde realizava serviços voltados para a fotografia institucional. Ele deixa a esposa, Elena, três filhos (Marina, de 37 anos, João, de 18, e Veridiana, de 14) e duas netas, Juma, de 7 anos, e Serena, de 5. 

“Era uma pessoa muito bem humorada, alto astral, bom caráter. Era festeiro e muito querido”, lembra a jornalista Tânia Rabello, ex-mulher de Prado, com quem teve dois filhos. Amigos lembram do seu gosto pelos esportes, adorava pedalar, e a sua predileção pela Praia de Camburi, no litoral norte do Estado. 

Com uma formação em Economia pela PUC interrompida, ele chegou a trabalhar na área bancária no Rio de Janeiro no início dos anos 1980, mas logo foi para a fotografia, a verdadeira paixão. Depois da passagem por veículos fluminenses, mudou-se para Campinas e na sequência para São Paulo.

Na fotografia, sua atuação era marcante, seja em coberturas sobre o meio ambiente ou em pautas sobre os problemas da cidade, como a Cracolândia. “Outro trabalho memorável no meu álbum de lembranças do Pradinho foi a compra de crack. Eu, na rua; ele, no alto de um prédio. Até a pedra saindo de dentro do sutiã da traficante ficou visível. Cobrimos juntos muita rotina: enchentes, crimes, incêndios, passeatas e política”, escreveu o colega de época de Estadão Moisés Rabinovici em uma apresentação que compõe a galeria criada com suas imagens. 

Outro colega de Estadão, Jotabê Medeiros, relembrou em uma publicação uma reportagem que fez com Prado sobre um festival de punk rock em 1993 em Ermelino Matarazzo. “De cima, eu via o Luiz Prado no meio de todos os punks, levando botinada, a máquina fotográfica voando para cá e para lá, e ele não saía. Nem piscava. As fotos depois pareceram um balé furioso. Depois dessa pauta, viramos amigos. O cara era destemido”, escreveu. 

Bisneto de Antônio Prado, primeiro prefeito de São Paulo e eminente político da virada do século 19 para o 20, Luiz Prado não se ufanava do passado da família aristocrata, conta Rabinovic. Dizia que quando morresse gostaria não de um velório, mas de uma festa para que todo mundo bebesse, relembra a esposa Elena. Por conta da pandemia, o desejo ainda não foi atendido, mas a celebração em memória da sua vida segue nos planos da família.

Tudo o que sabemos sobre:
jornalismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.