Morre ambulante baleado em confronto com a PM em São Paulo

Policiais agiam para apreender produtos irregulares quando se iniciou uma confusão; um militar também ficou ferido

Fabiana Cambricoli e Sérgio Quintella, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 18h36

Atualizada às 20h30

SÃO PAULO - Uma confusão entre ambulantes e policiais militares por volta das 17h15 desta quinta-feira, 18, na Lapa terminou com a morte do camelô Carlos Augusto Muniz Braga, de 30 anos, atingido por um tiro na boca. Um policial militar também ficou ferido, mas, ao contrario do que a PM informou inicialmente, ele não foi baleado. Teve apenas ferimentos leves decorrentes da briga com um grupo de ambulantes.

Segundo a PM, a confusão começou quando três policiais militares participantes da Operação Delegada tentaram apreender DVDs piratas que estavam sendo comercializados de maneira ilegal por um ambulante na rua Doze de Outubro. Ainda de acordo com a PM, o camelô se negou a entregar os produtos e recebeu voz de prisão. Nesse momento, um grupo de cerca de 30 ambulantes saiu em defesa do colega e iniciou uma briga com os três PMs. 

Segundo a major Dulcineia Lopes de Oliveira, um dos policiais teve parte do colete arrancado e outro agente da polícia foi encurralado pelos ambulantes dentro de uma loja e jogado no chão. Na confusão, segundo a major, foi dado um disparo acidental que atingiu a boca de Braga. Ele foi socorrido ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.

Testemunhas contestam a versão da PM. Segundo a irmã de Braga, que presenciou a cena, o irmão só estava tentando ajudar colegas envolvidos na briga. "Ele só foi socorrer o amigo dele que estava no chão, outro camelo, quando o policial não pensou duas vezes e atirou na boca dele.", contou ela, que não se identificou.

Após o disparo, houve um pequeno confronto entre ambulantes e policiais, que usaram balas de borracha e bombas de gás. Os ambulantes tentaram se proteger montando barricadas com lixo queimado e usando pedras. Pelo menos cinco pessoas foram detidas e encaminhadas para o 7º DP (Lapa). Todo o comércio da região fechou as portas e as ruas do entorno foram interditadas. 

A major Dulcineia informou que vai ser aberto um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias do disparo. 

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