Morre a 240ª vítima da tragédia de Santa Maria

A morte de Pedro Falcão Pinheiro, de 25 anos, elevou ontem o número de vítimas da tragédia da boate Kiss para 240. Primeiro paciente transferido de Santa Maria para Porto Alegre no domingo do incêndio, ele permaneceu os 34 dias da internação na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Cristo Redentor e não resistiu às complicações renais e pulmonares decorrentes de queimaduras severas e da inalação de gases tóxicos produzidos pelo incêndio.

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

03 Março 2013 | 02h05

Natural de Santana do Livramento, Pinheiro estudou no Centro Universitário Franciscano (Unifra) e trabalhava na América Latina Logística, segundo informações divulgadas por ele mesmo na página que mantinha no Facebook.

A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro. Um show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira provocou uma fagulha que chegou ao revestimento do teto da casa noturna. A espuma do isolamento acústico queimou rapidamente.

A maioria das vítimas inalou a fumaça tóxica. Os extintores não funcionaram. A casa não tinha uma saída de emergência. A maioria das vítimas morreu no local ou no mesmo dia, quando foram registrados 234 óbitos. Seis morreram em hospitais posteriormente. Ainda há 21 internados em hospitais de Santa Maria e Porto Alegre.

Laudos. A perícia detectou a presença de monóxido de carbono e cianeto no sangue de duas das 240 pessoas que morreram na tragédia. Os dois laudos, encaminhados pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) aos delegados que investigam o caso, foram anexados ao inquérito anteontem. Outras análises devem chegar aos investigadores nos próximos dias e é provável que confirmem os resultados iniciais.

O delegado Marcelo Arigony, da equipe que investiga o caso, disse que os laudos iniciais confirmam as informações preliminares de especialistas de diversas áreas.

Também anteontem a Justiça do Rio Grande do Sul revogou a prisão temporária e decretou a prisão preventiva dos quatro suspeitos de envolvimento no incêndio, a pedido da Polícia Civil.

A decisão vai evitar que Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios do estabelecimento, e Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, integrantes do grupo Gurizada Fandangueira, deixem a Penitenciária de Santa Maria hoje, quando terminaria o período de prisão temporária estabelecido logo depois da tragédia pela Justiça.

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