Moradores tentam mudar para áreas mais altas

Nos últimos seis anos, a advogada Valéria Marcon, de 36 anos, já perdeu as contas de quantas vezes seu sobrado apareceu ilhado na TV. Ela mora na Rua Teixeira e Souza, que fica entre os Shoppings West Plaza e Bourbon. Uma boca de lobo na frente da residência transborda em qualquer temporal mais forte. Só em fevereiro a via inundou " três vezes", conforme relata.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2010 | 00h00

"Eu já cansei de dar entrevista por causa de enchente. Nunca me procuram para falar que vai ter uma solução, é sempre algum problema. O que eu queria mesmo é vender minha casa e mudar lá para um apartamento na parte alta da Avenida Pompeia", conta a advogada, que tenta vender a casa em três imobiliárias desde o início do ano, por R$ 380 mil. "Pensei que iriam construir um piscinão no lugar do posto da (Avenida) Francisco Matarazzo. Mas aqui não tem mais jeito. Agora vai ter a arena do Palmeiras. O problema não é só a chuva. É muita gente e muito carro num mesmo lugar."

Outros moradores de pequenas ruas ao lado do cruzamento da Avenida Pompeia com a Rua Turiaçu querem mudar ou vender os imóveis por causa dos alagamentos. A dona de casa Suely Valente, de 52 anos, achou que seria desapropriada no ano passado, para a construção do piscinão na Francisco Matarazzo. "Era minha esperança de sair daqui. A placa de "vende-se", deixo por desencargo de consciência. Qualquer pessoa sabe que essa rua alaga e fica com trânsito parado nos dias de jogos", diz Suely, que mora na Barão de Tefé.

Desvalorização. As placas de "aluga-se" e "vende-se" também estão na frente de sobrados das Ruas Higino Pelegrini e Embaixador Leão Veloso. Moradores reclamam que a desvalorização, em comparação com as partes mais altas da Pompeia e de Perdizes, chega a 50%. "Se eu tivesse um sobrado com 12 cômodos lá na (Rua) Barão do Bananal pegaria uns R$ 500 mil. Aqui, como a água enche minha garagem, não consigo pegar nem R$ 300 mil", lamenta o aposentado Dirceu Hungria, de 63 anos, morador da Padre Antonio Tomás.

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