Moradores temem piora de trânsito e enchentes

Nos últimos anos, Prefeitura liberou na região dois shoppings, um megacondomínio e um hipermercado

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Para quem resistiu ao avanço da verticalização e segue morando em tradicionais sobrados da Pompeia, a obra da futura arena do Palmeiras é mais uma transformação que poderá aumentar os riscos de enchentes no bairro.

"Depois de liberar dois shoppings (Bourbon e West Plaza), um condomínio para 6 mil moradores (Casa das Caldeiras) e um hipermercado (Sondas), a Prefeitura vem e libera mais uma obra para 45 mil pessoas na Avenida Francisco Matarazzo. Realmente é o fim da Pompeia", dispara o advogado Antonio Ruas, de 71 anos, morador de um sobrado da Rua Venâncio Aires há quatro décadas.

"A construção da garagem para 1.250 veículos dentro do Palmeiras será mais uma obra de impermeabilização. E, se com 22 mil pessoas as ruas do bairro já são fechadas e ninguém transita de carro, imagine quando tiver show para 60 mil pessoas? Isso aqui vai virar um inferno", acrescenta o também advogado Reinaldo Carnevalle, de 54 anos. Palmeirense e com cadeira cativa no Palestra Itália, Carnevalle é contra o projeto da W Torre. "Vai ter show todo fim de semana e, quando a arena estiver pronta, o estádio vai virar alvo de exploração comercial e o dinheiro não vai voltar para o futebol do clube. Nenhum morador vai conseguir sair de casa quando tiver esses shows", acrescenta.

Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da Associação de Amigos da Vila Pompeia, lembra que as enchentes no bairro começaram em 1962, após a construção do Viaduto Pompeia. "A ponte impermeabilizou aquele trecho da várzea do Rio Tietê, e desde então as galerias pluviais e bocas de lobo do bairro não dão conta de absorver a chuva", afirma. "Com a liberação de dezenas de empreendimentos na Francisco Matarazzo nos últimos 15 anos, a situação só piorou."

Subprefeito da Lapa, Carlos Eduardo Fernandes diz que a licitação de obras de drenagem de R$ 17 milhões está prestes a ser concluída para a Pompeia. "O trânsito do Palmeiras vai sair da Turiaçu, onde ocorrem os maiores congestionamentos. Haverá um impacto no trânsito, mas não tão grande quanto o de um shopping", considera o subprefeito. "O Casa das Caldeiras só terá entrada pela Rua Carlos Vicari, não haverá saída pela Matarazzo, o que poderia atrapalhar o tráfego da avenida", acrescentou Fernandes.

PARA LEMBRAR

Criada há 15 anos por decreto do então prefeito Paulo Maluf, a Operação Urbana Água Branca tem como objetivo arrecadar dinheiro de empreendimentos que constroem acima do permitido pela lei de zoneamento e investi-lo em obras de melhorias para a região. Mas, desde abril de 1995, a operação usou apenas 3% da verba arrecadada de empreendimentos que se instalaram no eixo Pompeia-Lapa-Água Branca desde abril de 1995. Ao todo, 17 empreendimentos pagaram R$ 80 milhões - e só R$ 3 milhões foram gastos.

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