Moradores temem fim de ‘ilhas de sossego’

Receio de vizinhos de imóveis tombados é que, a partir de agora, grandes empreendimentos sejam construídos nas áreas

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2014 | 22h30

Moradores vizinhos de bens tombados em Higienópolis e na região central da capital paulista temem, agora, serem cercados por espigões com mais de 30 andares por causa da nova diretriz do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) que muda as chamadas áreas envoltórias. Pela lei de 1992 e ainda em vigor, qualquer obra ou reforma ao lado de imóvel tombado precisa de autorização prévia dos órgãos estadual e municipal do patrimônio histórico.

Há 19 anos morador na Rua Rio de Janeiro, um pequeno oásis no meio da região central, bem arborizado e ao lado do Colégio Sion, o advogado Ronaldo Brescanne, de 61 anos, criticou o “descongelamento” promovido pelo Conpresp. “O tombamento da área envoltória do Sion era a nossa garantia contra os espigões horrorosos iguais aos que acabaram com a Vila Olímpia e o Itaim-Bibi. Essa medida é um horror para uma cidade onde as empreiteiras já fazem o que querem. Vão acabar com as poucas ‘ilhas de sossego’ que existem na cidade”, afirmou o advogado.

Uma das resoluções do Conpresp também “descongelou” o raio de 300 metros no entorno do antigo prédio da Faculdade de Filosofia da USP, na Rua Maria Antonia. A região já é cercada por prédios e comércio atualmente. 

Na opinião de Walter Godói, de 51 anos, síndico de um edifício na Rua Maria Antônia, um dos aspectos positivos da decisão é que, agora, não será preciso fazer um protocolo a mais para realizar reformas ou pintura na fachada dos prédios. “O duro é se facilitar a construção de shoppings e daqueles supermercados gigantes.”

Comerciantes da Rua Xavier de Toledo, que trabalham em pequenas edificações de no máximo três andares, ao lado do Shopping Light, no centro, também estão receosos de que a nova regra modifique o perfil comercial da área. “Daqui a pouco vão querer construir aqueles prédios residenciais enormes por aqui e nós vamos ter de acabar saindo”, afirma Alfredo Castro, de 71 anos, gerente de uma casa de vitaminas na Rua Xavier de Toledo.

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