TIAGO QUEIROZ/ESTAD?O
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Moradores se unem por casarão dos anos 1940 no Jardim Paulista

Liminar barra demolição; grupo ainda quer impedir corte de árvores planejado pela construtora Grafisa, que adquiriu área para prédio

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2016 | 03h00

Moradores do Jardim Paulista, na zona sul de São Paulo, vão começar hoje um abaixo-assinado contra o corte de mais de 50 árvores em um terreno adquirido por uma construtora e a demolição de um casarão antigo construído no local. Por meio de uma liminar obtida na Justiça, já conseguiram impedir que a casa fosse destruída, mas eles defendem a preservação de todo o espaço.

Conhecido como Casa das Árvores, o terreno tem 95 árvores ao todo. Desde 2014, os moradores tentam impedir o corte de parte da vegetação planejado pela construtora Gafisa, que adquiriu a área naquele ano para a construção de um prédio. Eles acionaram o Ministério Público Estadual (MPE), que aceitou a causa, mas perdeu a ação contra o corte em primeira e em segunda instâncias.

O abaixo-assinado tem como objetivo manter preservado o terreno localizado no meio dos vários prédios na altura do número 330 da Rua José Maria Lisboa. “São árvores com média de altura de 20 metros. Mesmo as árvores exóticas cumprem a sua função ambiental. Vão cortar árvores que estão saudáveis. É um bosque com densidade absurda com uma casa da década de 1940. Não tem na região outro imóvel desse porte”, diz o consultor ambiental Luiz Antônio Araujo Queiroz, de 50 anos, que mora na região há 13 anos.

Apoio. Além do abaixo-assinado, os moradores mantêm páginas na internet e nas redes sociais com informações sobre a Casa das Árvores. A mobilização está ganhando cada vez mais adeptos.

O advogado Marcelo Corrêa Villaça, de 49 anos, diz que conhece a casa desde os 9 anos. “Há duas características de preservação aqui: a parte histórica do casarão e das árvores.” Villaça diz que o local já faz parte do dia a dia dos moradores e, por isso, tem o apoio de quem conhece a Casa das Árvores. “São 500 famílias de prédios do entorno.”

Moradora da região há 15 anos, a educadora em ciências Helena Versolato, de 70 anos, destacou a necessidade de se manter os espaços verdes que ainda estão presentes na capital. “Desde o ensino fundamental, existe todo um capítulo sobre a necessidade de preservar o ambiente. As crianças vão passar por aqui e ver um tronco com dois metros de diâmetro sendo serrado. Precisamos ter coerência do poder público, da incorporadora. Não importa se isso está acontecendo nos Jardins ou na periferia.”

No momento, os trabalhos no terreno estão paralisados. Na segunda-feira, equipes da incorporadora foram ao local e iniciaram a demolição do imóvel – o telhado foi removido. No dia seguinte, uma liminar judicial de uma nova ação dos moradores garantiu que o serviço fosse interrompido.

Em nota, a Gafisa diz que o empreendimento segue a legislação. “Após a execução do projeto aprovado, o total de árvores no terreno será igual a 90% do número de exemplares existentes hoje.” A empresa diz que vai depositar valor equivalente a 195 mudas no Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (FEMA).

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente informou que o local tem Alvará de Aprovação e Alvará de Execução, documentos que permitem o início das obras, mas o Certificado de Conclusão só será emitido se a empresa cumprir a legislação ambiental.

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