Moradores se reúnem para reciclar óleo de cozinha

De todos os elementos que podem ser reaproveitados, o óleo é o mais nocivo ao meio ambiente

Ana Carolina Moreno e Thalita Pires, do Jornal da Tarde,

16 de julho de 2007 | 15h35

Os moradores de Cerqueira César, na Zona Oeste da Capital, deram mais um passo em direção à preservação do meio ambiente com ações simples, rotineiras e de consumo responsável. Foi lançado nesta segunda-feira, 16, o projeto de coleta do óleo de cozinha nos condomínios do bairro, que será recolhido pela ONG Trevo e usado para fabricar sabão.   A iniciativa partiu da Sociedade Amigos, Moradores e Empreendedores de Cerqueira César (Samorcc) e conta com apoio da Prefeitura e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A funcionária pública aposentada Júlia Kiyan, responsável em 2000 pelo início da coleta seletiva de resíduos sólidos em seu prédio, lançou a idéia de reaproveitar o óleo.   "Eu ficava doente com esse negócio do lixo que não era reciclado", conta a ex-síndica, que afirma não ter tido trabalho para implantar a reciclagem do óleo. O processo durou seis meses até sair do papel, mas Júlia espera conseguir o apoio das 44 famílias que moram no edifício da Alameda Casa Branca. "Acho que deve dar dor na consciência jogar óleo na pia."   O sistema de coleta do óleo é semelhante ao de papel, plástico, vidro e alumínio. Depois de usar o produto, basta despejar a sobra em recipientes de vidro e, então, transferi-la para um container de 30 litros disponibilizado pela ONG para cada condomínio. "Quando encher, a gente liga e eles vêm retirar", explica Júlia.   Apesar da simplicidade, os benefícios de reaproveitar o óleo usado na cozinha são pouco disseminados - e o mesmo acontece com a divulgação dos prejuízos causados ao meio ambiente. Fabrício França, do Instituto Triângulo, explica que "de todos os elementos da natureza que podem ser aproveitados o óleo é o mais nocivo ao meio ambiente".   França é coordenador de operação da ONG, que coleta 7 toneladas de óleo por mês no Grande ABC, e transforma o material em 5 toneladas de sabão.   De acordo com Carlos Alberto Aparecido, gerente do departamento de planejamento da Sabesp, o óleo de cozinha pode entupir a rede de esgoto. "O óleo pode obstruir a rede coletora e os ramais domésticos. Por isso, é possível que haja refluxo do esgoto", explica. Dentro do Centro expandido, a Sabesp realiza 2 mil desentupimentos por mês.

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