Moradores se recusam a sair e fecham avenida

Cerca de 30 pessoas derrubaram caçambas, espalharam lixo na Zaki Narchi e atearam fogo; trânsito só foi liberado com a chegada de 75 PMs

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2011 | 03h06

A decisão da Justiça pela remoção imediata dos moradores do conjunto habitacional Cingapura, na Avenida Zaki Narchi, zona norte de São Paulo, e o aviso da Prefeitura de que não teria para onde levá-los causou revolta ontem no local. No início da tarde, cerca de 300 manifestantes tomaram as duas pistas da avenida, espalharam sacos de lixo e atearam fogo.

A Polícia Militar chegou ao local por volta das 17h30 e demorou cerca de 40 minutos para conter os manifestantes. Não houve confronto. Aproximadamente 75 PMs tiveram o reforço de 15 viaturas da ronda escolar e da Força Tática - o conjunto fica a menos de 200 metros da sede do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), da Polícia Civil. Após reunião dos líderes comunitários, o trânsito foi liberado por volta das 19 horas. Antes, o fluxo de veículos foi desviado para vias próximas. As lideranças comunitárias do Cingapura pedem que nenhuma das cerca de 700 famílias - 2,8 mil pessoas - deixe seus apartamentos. Faixas pintadas às pressas traziam dizeres como: "Estão querendo tomar a nossa moradia", "Aqui não tem gás".

Desinformação. Carentes de informação - parte dos cartazes de orientação, colocados pela Prefeitura na última sexta-feira, foi arrancada por moradores -, a maioria dos manifestantes não entendia qual órgão determinou a remoção. Outros, porém, pediam, também com faixas, que a promotora de Meio Ambiente Claudia Fedeli reconsiderasse sua decisão.

A líder da Associação Vida Melhor, Cleonice Maria do Nascimento, organizou um abaixo-assinado pedindo que as pessoas não sejam removidas, entregue ao Ministério Público e ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) na tarde de ontem. A ideia surgiu após reunião no último sábado com a Secretaria de Habitação (Sehab). "A gente está decidido a não sair. A sugestão é colocar os drenos com os moradores aqui", disse.

Segundo a moradora Aline do Nascimento, de 21 anos, a Prefeitura prometeu instalar drenos ontem, mas nenhum foi colocado. "Eles (Sehab) só estão tranquilizando, não estão solucionando nada. Prometeram trazer drenos, mas trouxeram extintores." Nenhum dos 35 prédios do conjunto tinha extintores. "Isso não resolve nossos problemas."

Uma comissão formada por moradores ainda procurou a Defensoria Pública ontem para evitar a remoção e propor uma ação judicial contra a Prefeitura - por não ter tomado providências antes, mesmo sabendo da contaminação. A Bureau Projetos, contratada pela Prefeitura, fez medições em 420 pontos de teste ontem e não constatou presença de gás metano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.