Moradores se queixam de festa em parque

Prefeitura autorizou evento particular no Ipiranga; barulho durou até a madrugada

Luísa Alcalde/JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

No sábado, a dona de casa Suzana Gonçalves só conseguiu dormir por volta das 4 horas. Foi quando parou o barulho de geradores, panelas, pratos, mesas e cadeiras que estavam sendo retirados de uma festa no Museu do Ipiranga, na zona sul paulistana. O evento particular que tomou parte dos 184 mil metros quadrados de área verde do Parque da Independência perturbou o sossego da vizinhança.

A festa terminou à 1 hora, mas, segundo Suzana, demorou mais de três horas para todo o aparato ser desmontado e carregado em caminhões na Rua Xavier Corado. Ali, atrás do Museu do Ipiranga, a dona de casa mora com a família há 13 anos. "Não é a primeira vez que isso ocorre. Se a gente não reclamar, vai ter festa toda a hora e precisamos dormir", reclamou.

O evento teve autorização da Prefeitura. "Com tanto lugar para fazer festa, a Prefeitura autoriza justo em um parque público onde há ao lado casas de repouso de idosos?", indagou um vizinho do museu, o comerciante José Carlos Pereira. Outro morador, o engenheiro Milton Novais também não está gostando. "A população, para variar, nem sequer foi consultada."

A ladeira da Esplanada dos Coqueiros, usada por skatistas, virou estacionamento de veículos para os cerca de mil convidados do Grupo Manserv, que comemorava 25 anos. As luzes do Museu do Ipiranga, apagadas rotineiramente após o fechamento do parque, por volta das 20 horas, ficaram acesas até o fim do evento, por volta de 1 hora.

Desde 2008, é a terceira vez que empresas realizam grandes festas ali à noite - já houve eventos de Telefônica e Kibon. A da Manserv teve apresentação de Rita Lee, em um palco na frente do Hospital Ipiranga. Para entrar na estrutura coberta era preciso ter nome em uma lista. Uma faixa da Rua dos Patriotas foi interditada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Natureza. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, que autorizou a festa, afirma que tanto a fauna quanto a flora do parque foram preservadas e o processo de montagem e desmontagem da estrutura foi acompanhado por técnicos da administração. Para o ornitólogo Luís Fábio Silveira, do Departamento de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), os pássaros também sofrem com esses eventos. "Potencialmente, atividades com música alta tanto de dia quanto à noite podem afastar as fêmeas dos ninhos e atrapalhar a reprodução."

O valor estabelecido pelo uso do parque é depositado no Fundo Especial de Meio Ambiente ou aplicado em benfeitorias. A quantia que teria sido paga pela Manserv não foi divulgada. Mas a Prefeitura informou que a empresa está trabalhando na revitalização da fonte do parque. "O valor a ser investido pela empresa será de R$ 250 mil", informou a Secretaria do Verde.

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