Moradores resistem à nova rodoviária

A vizinhança está mobilizada contra a construção do Terminal Rodoviário da Vila Sônia. "Em menos de um mês, conseguimos 8.400 assinaturas de pessoas contrárias", afirma o farmacêutico Renato Astray, de 34 anos, um dos articuladores do movimento.

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h32

Entre as alegações dos moradores está a de que o trânsito na região da Vila Sônia já está saturado. "A ideia do projeto era trazer os ônibus da Barra Funda para o Terminal da Vila Sônia, vindo pela Raposo Tavares, que de manhã já tem 18 quilômetros de congestionamento", diz Astray.

Outro argumento dos moradores é que as rodoviárias da capital estão subutilizadas. A do Tietê, por exemplo, segundo a administradora Socicam, atua com apenas 25% da capacidade instalada. Os três terminais - Tietê, Barra Funda e Jabaquara - recebem 46,5 mil passageiros por dia. O projeto é que só a da Vila Sônia e o outro futuro terminal, em Itaquera, atendam 56 mil pessoas.

A Vila Sônia teria metade da demanda e 250 partidas de ônibus por dia. Para a construção do espaço, deve ser desapropriada uma área de 17 mil m², onde ficam 74 casas. Além das desapropriações, serão feitas reformas nas vias próximas para que elas ganhem faixas exclusivas para ônibus de viagem.

O historiador André Briant, de 30 anos, mora desde os 5 na Rua Coronel Otaviano da Silveira. A casa dele é uma das que devem ser derrubadas para dar lugar à futura rodoviária. Ele mora com o pai, de 86 anos, e a mãe, de 73. "Não levam em conta a questão psicológica. Para os meus pais, sair daqui da região seria a morte", afirma.

Segundo Briant, uma das preocupações é que dificilmente a família conseguiria comprar uma outra casa no bairro com o dinheiro da desapropriação. "Aqui o preço é um absurdo, é a bola da vez do mercado imobiliário", afirma o historiador. / A.R.

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