Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Moradores querem saber quanto pagarão e resistem à proposta

‘Vila sem saída não é passagem, é destino. Não tem por que ninguém querer entrar’, reclama publicitário

Adriana Ferraz , Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2015 | 17h27


A privatização de ruas sem saída é vista com resistência pelos moradores que já vivem em vilas fechadas por portões. A preocupação está no valor que seria cobrado pela Prefeitura para que o uso da área pudesse ser restrito aos proprietários. “Acho que isso depende muito do valor que seria cobrado. Talvez seja inviável”, disse o publicitário Eduardo Koch, de 35 anos, morador da Rua Aziz Jabur Maluf, na Vila Clementino, zona sul da cidade.

Lá, um portão de barras metálicas verdes isola a rua com 19 casas do movimento do bairro desde 1995. Segundo Koch, esse foi o ano em que ocorreu um assalto seguido de estupro que traumatizou moradores e motivou a instalação da estrutura. Atualmente, Koch se mobiliza pela manutenção do portão e até criou uma página do Facebook denominada “vilas com portões” para reunir interessados em debater o tema. “O governo não dá conta de te dar essa segurança. Aqui, a gente está seguro. Vila sem saída não é passagem, é destino. Não tem por que ninguém querer entrar. Por que deixaria aberto?”

A proposta de venda das ruas enfrenta resistência também da Associação dos Moradores e Amigos de Vila Mariana, um dos bairros da cidade com a maior quantidade de ruas sem saída notificadas pela Prefeitura. O presidente da entidade, Oswaldo Luiz Baccan, diz que a ideia é absurda. “Vamos pagar exatamente para quê? Já pagamos por tanta coisa e ainda teríamos de pagar por algo que nos dá segurança?”

Remoção. Há cerca de um mês, moradores de 289 vilas fechadas foram intimados a retirar ou readequar os portões, permitindo ao menos a passagem de pedestres sem obstáculos. Os avisos, em alguns casos, foram acompanhados de alertas de destruição dos gradeados, se não houvesse a retirada em cinco dias úteis.

Na Rua Lenine Severino, que fica na Vila São Francisco, zona oeste, os moradores afirmam que o acesso aos pedestres não é bloqueado, mas apenas durante o dia. Depois de notificados, os proprietários das 11 casas da rua temem que a Prefeitura derrube o bloqueio, instalado em 2005. “Ameaçaram os vizinhos e disseram que viriam com o trator. Essa é uma decisão arbitrária”, reclamou a pesquisadora Margarida Adamatti, de 34 anos. A Subprefeitura do Butantã, responsável pela região, confirmou que o fechamento foi realizado de forma irregular, “pois bloqueia também o passeio público”. Os responsáveis devem regularizar a situação.

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