Edu Silva/Futura Press
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Moradores queimam carros em protesto contra reintegração

Confronto ocorreu durante a madrugada e a polícia respondeu com bombas; pela manhã, moradores começaram a deixar os barracos 

Tulio Kruse e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 07h27

Atualizada às 12h59

SÃO PAULO - Policiais militares e moradores da Estrada do Iguatemi, em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital, entraram em confronto na madrugada desta quinta-feira, 27, antes do cumprimento de uma reintegração de posse. Os moradores incendiaram pelo menos sete carros, um ônibus e pneus em barricadas montadas para tentar impedir a entrada da PM, que usou bomba de gás e balas de borracha.

O conflito começou por volta das 4h. Os moradores alegam que só foram avisados da desocupação na última segunda-feira e não têm para onde ir. Eles seriam representados na Justiça por um comerciante local, que não teria avisado da reintegração.

"A gente tinha informação de zunzunzum, mas não recebemos nenhum papel timbrado, nenhum documento, nada", diz um dos moradores. Na noite que precedeu a confusão, todos estavam apreensivos.

Em nota, a CDHU informou que representantes da companhia se reuniram com as famílias ocupantes para informá-las sobre os procedimentos necessários para inclusão nos programas habitacionais. "Elas foram orientadas a se organizar em associação e buscar atendimento pelo Programa Minha Casa Minha Vida - Entidades, na parceria entre os governos federal e estadual, por meio da Casa Paulista. Entretanto, a área não foi desocupada e a medida judicial está sendo executada".

Com a chegada da PM, por volta das 2 horas, parte dos moradores se revoltaram. Eles invadiram o desmanche, que pertence ao comerciante, conhecido na região como Branco, incendiaram peças e arrastaram carros para rua.

Os policiais usaram bombas e balas de borracha para conter o tumulto. "Uma bomba entrou na minha casa e a minha filha de três anos começou a passar mal", conta o motorista Esteve Estanislau, morador da área há 15 anos.

Reintegração. O terreno alvo da reintegração tem 11 mil metros quadrados, com 75 habitações, entre barracos e casas de alvenaria, segundo levantamento da PM e da CDHU. Os moradores falam em mais de 300 famílias.

Às 6h, com a chegada do oficial de Justiça, a situação já estava contida. Sob chuva forte e frio, os moradores carregavam pertences para caminhões de mudança. A maior parte não tinha destino certo, outros iriam para casa de amigos e parentes.

Mesmo sem novos conflitos, a polícia manteve uma operação grande na área, com 183 policiais de três batalhões, além da força tática e da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam). A expectativa é que a reintegração só termine no final da tarde.

Retroescavadeiras já estão no local, aguardando a saída dos moradores. Quando a área estiver desocupada, as casas serão demolidas.

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