Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Moradores protestam contra interdição do Cingapura

Eles viraram duas caçambas de lixo e bloquearam faixas da Avenida Zaki Narchi

Ítalo Reis, estadão.com.br

10 Outubro 2011 | 17h38

SÃO PAULO - Cerca de 70 moradores do Cingapura viraram duas caçambas de lixo na Avenida Zaki Narchi, interditaram parte da via e fizeram uma manifestação contra a decisão da Justiça divulgada nesta segunda, dia 10, que manda a Prefeitura removê-los do local devido ao risco de explosão.

Com faixas que dizem "Aqui não existe gás" e "Estão querendo tirar a nossa moradia", eles se dizem injustiçados. "Moro aqui desde antes da construção do Cingapura. Quando cheguei, só tinha três barracos e não tinha lixão. Quem chegou há pouco tempo que inventou essa história de explosão", afirma a diarista Cristina Rocha, de 41 anos, que mora no conjunto habitacional com o marido e os filhos. "Se tem gás aqui, porque não tem no Novotel e na AACD (locais próximos ao Cingapura)?".

Maria Francisca da Silva, de 50 anos, também estava revoltada. Ela diz que a família toda mora no Cingapura, em vários apartamentos. "Não posso sair daqui. Moramos todos aqui: meus sete filhos e 21 netos", lamentava. Seu receio maior quanto à remoção é o local para onde devem ser levados. "Eu não tenho para onde ir e não quero que me levem para longe."

A moradora Valquíria da Silva era uma das que empunhavam as faixas de protestos. "Antes falaram que não tinha riscos, depois disseram que sim. Queremos alguém da Prefeitura para falar com a gente. O protesto é forma que temos de falar algo. Não vamos sair daqui", diz.

Em meio ao tumulto, há também os que tentam apaziguar. "Não adianta fazer protesto desse jeito, temos de nos organizar, conversar. Isso não leva a nada", diz o cabeleireiro José de Toledo Filho. "O que precisamos é que chegue alguma notificação oficial. Até agora, tudo o que sabemos é o que vimos na TV."

 

No fim da tarde, a moradora representante da Associação Vida Melhor, Cleonice Maria do Nascimento, mostrou dois documentos que teve a assinatura de 591 moradores e foram enviados para a Prefeitura, Ministério Publico e Defensoria Pública. "Sugerimos que a instalação dos drenos seja feita aos poucos, sem retirar os moradores de casa".

Até às 20h, a manifestação ainda não havia terminado, mas estava sob controle após a chegada de cerca de dez viaturas da polícia. A avenida estava parcialmente interditada.

Texto ampliado às 20h06

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