Werther Santana/AE
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Moradores protestam contra desocupação de favela na marginal

Cerca de 455 famílias moram na Favela do Sapo, entre as pontes do Limão e Freguesia do Ó no sentido Ayrton

Daniela do Canto, da Central de Notícias,

15 de julho de 2009 | 07h25

Moradores da Favela do Sapo, que fica entre as ponte do Limão e Freguesia do Ó na Marginal do Tietê, protestam na manhã desta quarta-feira, 15, contra a desocupação do local. Os protestos começaram na noite de terça, já que a desocupação, feita pela Prefeitura de São Paulo, estava marcada para a manhã desta quarta.

 

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A Prefeitura de São Paulo alega que a favela está em área de risco. São cerca de 455 famílias que moram na Favela do Sapo, que fica na região da Água Branca, na zona oeste da capital. Os manifestantes disseram não concordar com as regras de indenizações e benefícios da Prefeitura para a desocupação. Algumas famílias reclamam que deixariam o local sem contrapartida.

 

No protesto, parte dos moradores fechou os acessos à favela usando carrinhos de mão com entulho e pedaços de madeira, além de outros objetos. Em uma reunião realizada na manhã desta quarta, os moradores decidiram que pretendem conversar com os representantes da Prefeitura no momento em que o efetivo responsável pela desocupação chegar.

 

A intenção dos moradores é convencer a Prefeitura a adiar o despejo e conseguir garantias para todas as famílias que tiverem de deixar o local. Caso a Prefeitura não queira conversar e decida pelo início da demolição dos barracos, as famílias podem resistir.

 

Policiais militares estão posicionados no local desde o final da madrugada, segundo eles, apenas para evitar uma eventual tentativa dos moradores de fechar a pista da Marginal do Tietê. Na tarde de terça, os moradores bloquearam a pista local da marginal.

 

"Em princípio, a operação continua. Por experiências anteriores, não adianta adiar", disse Soninha. "Subiram muitos barracos novos na expectativa de ganhar dinheiro, fazendo especulação. Não é justo com as pessoas que já estavam lá. São elas (os novos moradores) que fazem o tumulto."

O catador de papel Marcelo da Silva Alves, de 18 anos, participou do protesto. Ele disse que a Prefeitura não "está dando oportunidade aos moradores". A dona de casa Natália da Silva Santos, que tem cinco filhos e está grávida de 3 meses, também ajudou a bloquear a pista. "Saindo daqui não tenho para onde ir", contou.

 

A capital tem 1.632 favelas - 19 delas nas marginais. A Sehab coordena a remoção das moradias em áreas consideradas de risco.

 

(Fábio Mazzitelli e José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde)

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