Moradores põem 140 horas de vídeos na web

Desde grande incêndio, em 2012, quase tudo de relevante que aconteceu em comunidade entrou em videodocumentário

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2014 | 02h03

Em 14 meses, desde o incêndio que destruiu mais de 300 barracos em 17 de setembro de 2012 e deixou um morto na Favela do Moinho, na região central, quase tudo o que aconteceu de relevante na ocupação foi registrado em mais de 140 horas de vídeos divulgados na internet.

Os moradores ainda esperam pelas obras de reurbanização prometidas pelo prefeito Fernando Haddad (PT), na campanha eleitoral. Ele chegou a dizer, no fim de outubro, que órgãos acionados pela Prefeitura e equipes da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) foram impedidos de entrar na ocupação ao longo deste ano.

Com vídeos de encontros com representantes da Sehab realizados neste ano na favela e exibidos na internet, os moradores dizem que a afirmação é falsa. "Muitas ONGs estão aqui dentro. Temos um projeto da Secretaria Municipal de Cultura. Por que só o prefeito não consegue entrar aqui?", pergunta Alessandra Moja, de 30 anos, líder comunitária e moradora da favela. "Na verdade, essa acusação é mais uma tentativa de fazer a favela minguar aos poucos, na medida em que nenhum serviço público chega aqui", afirma.

 

Documentário. Audiências com técnicos da Sehab e até áudios de ligações telefônicas de agentes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social foram gravados nos últimos nove meses. Os moradores da favela também fizeram três protestos ao longo deste ano, todos filmados. "Estamos preparando também um documentário com as cenas dos abusos feitos pela polícia aqui dentro. A tentativa diária aqui é nos intimidar, para forçar a expulsão das famílias", diz Alessandra.

Procurada, a Prefeitura informou que está "em tratativas com as concessionárias (Sabesp e AES Eletropaulo) e vai realizar visita conjunta" à favela. A reportagem apurou que Haddad, pressionado por lideranças da ocupação em recentes agendas públicas, deve visitar a Favela do Moinho antes do Natal.

Hoje, cerca de 500 famílias moram na área. Outras 362 famílias que deixaram a ocupação recebem bolsa-aluguel da Prefeitura, de R$ 450 mensais - elas aguardam a conclusão de um conjunto habitacional ao lado da Ponte dos Remédios, previsto para maio de 2015.

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