Moradores pedem praça em área vazia na Vila Clementino

Professor aposentado fez abaixo-assinado e reuniu 4.031 nomes; dona do terreno, Prefeitura diz que vai avaliar proposta

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2013 | 02h04

O professor aposentado José Carlos Corrêa Cavalcanti, de 63 anos, cansou de ver um terreno público abandonado quando olhava pela janela de seu apartamento na Vila Clementino, zona sul de São Paulo. Em dezembro, resolveu vencer a timidez e saiu pelo bairro pedindo assinaturas de outros vizinhos que concordam que o local deve virar uma praça. Na terça-feira, Cavalcanti entregou um abaixo-assinado com 4.031 nomes à Subprefeitura da Vila Mariana.

No documento, moradores, estudantes e trabalhadores da região pedem que o imóvel da Rua Botucatu, entre os números 537 e 591, seja transformado em área de lazer com playground, bancos, árvores. O terreno já pertence à Prefeitura. Atualmente, a área dá sinais de abandono - tem, por exemplo, um portão enferrujado e grama alta.

"O mais importante é que a vizinhança abraçou a causa", diz o professor aposentado. "Foi uma verdadeira corrente do bem. Restaurantes, empresas, hospitais, condomínios: todo mundo pedia algumas folhas e depois me devolviam duas, cinco, sete delas cheias de nomes."

Projeto. A subprefeitura diz que pretende analisar a possibilidade de abrir uma praça ali. Mas um destino para a área vem sendo discutido pelo poder público há pelo menos dois anos.

O Centro Universitário Belas Artes apresentou à subprefeitura em 2011 um projeto que previa a construção de duas casas, de 48 e 54 metros quadrados, com métodos ambientalmente sustentáveis. Os imóveis seriam destinados por um ano a famílias inscritas em programas habitacionais. Passado esse período, que serviria para avaliar os materiais usados na construção e o conforto das casas por alunos e professores do curso de Arquitetura da faculdade, a estrutura se tornaria um centro de convivência para a terceira idade.

Cavalcanti viu o início da obra patrocinada pela Belas Artes em janeiro do ano passado. Operários chegaram a fazer as fundações, mas pararam logo depois. Mesmo assim, ele acha que uma praça seria mais útil. "Nós temos uma carência de áreas verdes. Nossa proposta é que a praça seja adotada pela iniciativa privada e uma base da Guarda Civil Metropolitana fique permanentemente ali."

A Belas Artes ainda não desistiu do projeto. O professor Marco Aurélio Alves de Oliveira, responsável pela área de parcerias e projetos sociais da instituição, acredita que a Vila Clementino teria muito a ganhar com a construção do centro de convivência. "A faculdade tem uma história no bairro. São 39 anos na região. Além disso, a Prefeitura não teria custo nenhum."

Segundo Oliveira, professores e alunos planejaram as casas usando materiais alternativos e métodos sustentáveis de construção, como coleta de água de chuva e telhado verde. "A cidade não precisa de mais praças cercadas, mas sim de espaços de convívio público", afirma o professor. Ele lembra que o terreno seria devolvido à comunidade em pouco tempo, já que as casas seriam construídas em dois meses e o teste com moradores não passaria de um ano. Após a adaptação, o centro para idosos teria espaço para dança, mesas para jogos de cartas, biblioteca e um projeto paisagístico. "Infelizmente, não tivemos tempo de fazer uma reunião e mostrar todo o projeto para os moradores."

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que recebeu o abaixo assinado de Cavalcanti e vai verificar a "real situação do terreno para a possibilidade da criação de uma praça no local".

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