Moradores fecham Jacu e põem fogo em linha da CPTM

Polícia Militar afirma que manifestantes cobravam providências, após incêndio ter destruído parte da Favela da Vila Nair, anteontem

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h02

A Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste, e a Linha 12-Safira (Brás-Calmon Viana) da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram bloqueadas ontem durante manifestação de moradores da região. Segundo a Polícia Militar, eles protestavam contra um incêndio que destruiu anteontem parte da Favela da Vila Nair.

O protesto começou pouco depois da 17 horas, na volta para casa dos paulistanos. Moradores atearam fogo em pneus e colchões, interrompendo o tráfego nos dois sentidos da Jacu (que liga a Rodovia Ayrton Senna ao Trecho Sul do Rodoanel). Próximo dali, um grupo ateou fogo nos trilhos, entre as Estações São Miguel e Comendador Ermelino.

Os bombeiros só conseguiram conter as chamas na Jacu às 18h55. A pista foi liberada logo depois. Mas, até o começo da madrugada, policiais ainda patrulhavam a região para evitar novas manifestações.

Segundo o coronel Roberto de Jesus Moretti, do Comando Leste 4 da PM, o protesto começou depois de uma reunião entre moradores desabrigados e representantes da Subprefeitura de São Miguel, marcada para tratar do auxílio às vítimas do incêndio. Como o encontro não teve participação de representantes da Secretaria Municipal de Habitação, nova reunião teve de ser marcada - o que irritou parte dos moradores. "Os protestos começaram logo depois disso", disse o coronel.

Confrontos. A Polícia Militar usou bombas de efeito moral e de gás para conter os manifestantes - a estimativa inicial era de 100 pessoas, mas o coronel Moretti disse que não era possível assinalar um número exato. "Depois que a manifestação foi dispersada, pequenos grupos ainda atiravam pedras nos policiais e se escondiam no interior da favela", afirmou.

O efetivo da PM levado à área chegou a 180 pessoas, incluindo policiais de cinco batalhões da zona leste, bombeiros e soldados do Batalhão de Choque. Um manifestante chegou a ser detido, mas foi liberado ainda ontem. A polícia registrou dois soldados feridos com pedradas - mas não deu o número de manifestantes feridos. "Nenhuma liderança nos procurou para negociar nada", afirmou o coronel, que prometeu intensificar o patrulhamento na região hoje.

Por causa do bloqueio da Jacu-Pêssego, o congestionamento chegou até a Rodovia Ayrton Senna, que registrou 13 quilômetros de lentidão no sentido interior, por volta das 19 horas. Outros acessos à zona leste, como a Avenida São Miguel, também sofreram impactos da manifestação. Passageiros dos ônibus desceram dos coletivos parados e seguiram a viagem a pé.

Na CPTM, a circulação dos trens foi interrompida a partir da Estação Brás. A companhia informou que "milhares de pessoas" foram prejudicadas. Como alternativa, os passageiros tiveram de usar a Linha 11-Coral, que tem conexão com a Linha 12 na Estação Calmon Viana, ou aguardaram os ônibus solicitados para o transporte de emergência. A circulação dos trens só foi restabelecida às 21 horas, depois do horário de pico. Antes disso, por volta das 20h30, a operação era parcial, até a Estação Comendador Ermelino.

Mesmo três horas após a liberação da pista, moradores do Jardim Pantanal não podiam voltar para casa por causa dos bloqueios. "Estou a cinco minutos de casa", lamentou o entregador Felipe Teixeira, de 38 anos.

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