Moradores fazem protesto contra Petrobras no litoral paulista

Manifestantes pedem retirada imediata das famílias que moram bairro onde solo foi contaminado por petróleo

Simone Menocchi, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2008 | 21h42

Os moradores do bairro Itatinga, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, fizeram nesta segunda-feira, 23, um protesto em frente a unidade da Petrobras para pedir a retirada imediata das famílias que moram em uma área onde o solo foi contaminado por resíduos de petróleo, há quase três décadas. Segundo os manifestantes, desde quando os resíduos foram descobertos no quintal de uma casa, há dois anos, os moradores começaram a ficar doente e alguns desenvolveram até câncer. "Em apenas uma rua existem quinze casos, inclusive de crianças com câncer", disse uma das organizadoras do movimento, Débora Siqueira. Com faixas, as famílias pediam atenção da Petrobras para o problema. "É um verdadeiro descaso. A Petrobras prometeu retirar as famílias do local e não fez nada até agora", completou. Em março o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a Petrobras retirasse, imediatamente, oito famílias do local, mas a ordem não foi cumprida. Existem ainda outras 76 famílias que estão na mesma área de risco.  A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) está avaliando os relatórios produzidos pela Petrobrás e deve divulgar um parecer sobre o nível de contaminação do bairro em três semanas. "O diagnóstico ambiental é de competência da Petrobrás e a Cetesb está analisando o que foi estudado. É uma análise da qualidade desse laudo. Se estiver errado ou inconsistente, a Cetesb vai exigir as adequações", informou o superintendente do litoral norte, João Carlos Milanelli. "Chamamos de borra de petróleo formada por vários tipos de hidrocarboneto, substâncias que tem potencial tóxico. O que estamos analisando é se o estudo da Petrobras sobre as substâncias está correto". O relatório tem 14 mil páginas. De acordo com a assessoria de imprensa da Petrobrás, a rua citada pelos moradores - Rua Gisele de Oliveira - onde supostamente estariam surgindo casos de doenças graves, não pertence à área onde foi detectada a existência de resíduos. Nesta rua, segundo estudos feitos pela Petrobrás, não há sinais de hidrocarboneto.

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