Moradores e PMs se confrontam na favela Paraisópolis, em SP

Manifestantes depredaram e incendiaram carros nas ruas; morte de morador pela polícia teria causado protesto

Elvis Pereira e Fábio M. Michel, estadao.com.br

02 Fevereiro 2009 | 18h40

Moradores entraram em confronto com policiais militares na favela Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, no fim da tarde desta segunda-feira, 2. Eles montaram barricadas, destruíram e atearam fogo em diversos veículos e pedaços de madeira e depredaram estabelecimentos. Quando a Polícia Militar chegou para controlar a manifestação, houve um princípio de confronto. Quatro pessoas ficaram feridas: um morador, um capitão, um sargento e um soldado. Nove pessoas foram detidas, incluindo três menores.    Veja também:  TV Estadão - O confronto com a PM   Segundo afirmou o coronel da PM Danilo Antão em entrevista à GloboNews, o motivo dos protestos foi a morte de um morador da comunidade, que teria sido baleado por policiais militares na noite de domingo, durante uma ação policial. "Tudo isso aconteceu porque ontem houve um tiroteio com a polícia no qual um indivíduo veio a falecer. Um indivíduo que roubou um veículo em Curitiba e estava com outro indivíduo ", explicou.   "Segundo ouvimos, são pessoas envolvidas com o tráfico da favela. Então, muito provavelmente receberam ordens de traficantes para efetuar essa baderna", disse o coronel. "Já está havendo uma ação de controle de distúrbio no interior da favela com o pessoal que estava quebrando os veículos. Vamos fazer as detenções necessárias. Já existem alguns detidos". O coronel não soube precisar, mas calculou em 60 o número de pessoas envolvidas no tumulto.   A PM desfez as barricadas montadas nas vias da favela, entre elas a Rua Doutor Francisco Tomás de Carvalho, onde os moradores atearam fogo em lixo e veículos. Nove pessoas foram presas - seis adultos e três menores. Destes últimos, uma menina, de idade não identificada. Todos foram encaminhados ao 89.º Distrito Policial. O tumulto foi controlado e 120 soldados permanecem no local para evitar novos protestos.   Segundo nota oficial distribuída pela Secretaria de Segurança Pública, o protesto de moradores da favela de Paraisópolis, zona Sul de São Paulo, provocou ferimentos em três policiais militares. As primeiras informações era de que os soldados feridos eram dois. Nenhum dos três corre risco de morrer, apesar de continuarem internados em hospitais da região.   Informa a nota ainda que "a Polícia Militar não sairá do local até que a missão seja finalizada. Para lá, foram enviadas 60 viaturas da Força Tática, da Tropa de Choque e do policiamento de área, além do helicóptero Águia. Doze carros do Corpo de Bombeiros e 34 homens da corporação estão presentes para conter eventuais focos de incêndio.        Pelo menos quatro carros e um estabelecimento comercial foram depredados pelos manifestantes. O protesto causou a interdição total das Ruas Doutor Flávio Américo Maurano e Doutor Francisco Tomás de Carvalho, no Morumbi, complicando bastante o trânsito na região. No final da noite, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) informou que a Polícia Militar já liberou o tráfego de veículos nas ruas Dr. Francisco Tomas de Carvalho e Dr. Flávio Américo Maurano, que fazem a ligação entre a avenida Morumbi e a avenida Giovanni Gronchi.   Atualizado à 1 hora.

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