Sergio Neves/AE - 14/11/2010
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Moradores do Ipiranga tentam barrar 1º de maio

Vizinhos do Parque da Independência entraram com representação no Ministério Público para evitar comemoração da CUT no local

Luisa Alcalde, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2011 | 00h00

Moradores do bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, querem impedir que a festa de 1.º de maio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ocorra, como está previsto, no Parque da Independência. Eles entraram com representação no Ministério Público Estadual (MPE) pedindo que o evento seja transferido para outro local.

 

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A Promotoria de Habitação e Urbanismo está analisando o pedido e deve se manifestar nesta semana. Na representação, os moradores argumentam que haverá a necessidade de interdição da Avenida Nazaré, com o isolamento de dois grandes hospitais (o Ipiranga e o São Camilo, antigo Leão XIII), ambos localizados na vizinhança.

"Essa interdição impedirá o atendimento aos necessitados e o parque não oferece condições para receber tamanha multidão", afirma o advogado Eduardo Augusto Pinto, morador do bairro e membro do Conselho de Segurança (Conseg) do Ipiranga.

Ele calcula, baseado em dados de festas da CUT em comemoração ao Dia do Trabalhador, que haverá de 1 milhão a 1,5 milhão de pessoas. A Assessoria de Imprensa da CUT, entretanto, diz que o público esperado gira em torno de 20 mil a 30 mil pessoas porque neste ano a festa será diluída em atividades entre os dias 25 deste mês e 1.º de maio - e não em apenas em uma data. Shows estão previstos para os dias 30 de abril, das 9h às 19h, e 1.º de maio, das 9h às 20h.

O advogado Eduardo Augusto Pinto afirma que o parque não comporta nem essas 30 mil pessoas. "O local não tem sinalização, tampouco portões de emergência destinados ao rápido escoamento do público. Fogos de artifício podem resultar no estouro de uma multidão em pânico", argumenta o advogado na representação entregue ao MP.

Em 2007, a CUT tentou fazer a festa de 1.º de maio no Parque da Independência, mas o MP instaurou ação civil pública contra a realização do evento e a Justiça proibiu, na época, que ele ocorresse. Na ocasião, a Prefeitura foi obrigada a indicar outro local para o evento, que ocorreu na esquina das Avenidas Ipiranga e São João, região central.

A Secretaria do Verde informou que a organização do evento prevê ressarcir danos aos bens públicos e às áreas verdes, com o compromisso de recompô-los e ou indenizar os eventuais prejuízos constatados.

"No local de realização do megaevento estão localizados bens tombados de imenso valor histórico para a Nação brasileira e que devem sempre ser preservados, jamais danificados", complementa o advogado.

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