Luta do Transporte no Extremo Sul/Divulgação
Luta do Transporte no Extremo Sul/Divulgação

Moradores do extremo da zona sul invadem aula de Haddad na USP

Manifestantes cobraram criação de linhas de ônibus em Parelheiros e levaram documento; prefeito marcou para maio uma reunião

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

27 Abril 2015 | 11h46

Atualizada às 14h30

SÃO PAULO - Um grupo com cerca de 30 a 40 moradores de bairros do distrito de Parelheiros, na zona sul da capital paulista, interrompeu por volta das 9 horas desta segunda-feira, 27, a aula do prefeito Fernando Haddad (PT), no prédio da pós-graduação de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, na zona oeste. Os moradores exigiam a criação urgente de linhas de ônibus em seus bairros, no extremo sul da cidade. Eles levaram um documento para que o prefeito assinasse se comprometendo a implantar cinco linhas.

"O Haddad não assinou o compromisso, mas deu a palavra dele de que teria uma reunião no dia 16 ou 23 de maio", disse Luíze Tavares, militante do movimento Luta do Transporte no Extremo Sul. Segundo Luíze, o prefeito chegou a se retirar da sala de aula por se sentir ofendido com a intervenção. Haddad teria dito, ainda de acordo com a manifestante, que não assinaria documento algum e que não era para os moradores interromperem a aula.

"Nós entramos, apresentamos o histórico dos bairros. A princípio, ele queria que não interrompêssemos a aula, pediu para procurarmos por ele no intervalo", afirmou a militante. "Houve alguns momentos de tensão porque ele achou que estava sendo ofendido. Mas ele não acha que ofender é a pessoa andar duas horas para um ponto de ônibus."

Em seguida, Haddad teria se retirado da sala e moradores foram atrás dele. Os seguranças teriam acompanhado a saída do prefeito. "Ele parou no corredor das Ciências Sociais e ali terminou a conversa. Lemos para ele o que queríamos que assinasse, ele concordou em partes, mas disse que não ia assinar de qualquer jeito", declarou Luíze.

Às 13 horas, após o término da aula, o prefeito afirmou ao Estado que "o início da fala (dos manifestantes) foi um pouco agressivo" e que houve um "entreverozinho de dois estudantes com eles (moradores)". Haddad negou, porém, ter ficado incomodado com a interrupção da aula e confirmou ter marcado com os manifestantes uma reunião no dia 16 ou 23 de maio na subprefeitura de Parelheiros para discutir o assunto.

"​Os estudantes se sentiram um pouco agredidos porque eles próprios foram envolvidos numa discussão da qual não fazem parte. Mas eu, saindo da sala, pude atendê-los aqui no corredor de maneira mais tranquila e combinamos essa reunião. Foi um começo tenso que terminou bem."

A luta pelas linhas na região é histórica. Em 2014, moradores da região chegaram a organizar uma van por um dia, chamada pelo grupo de "linha popular", e se acorrentaram no saguão da Prefeitura como forma de protesto.

Questão ambiental. O prefeito explicou que há na região de Paralheiros, especialmente em Marsilac, "forte restrição ambiental" em função dos mananciais localizados na área.

"Toda a questão de levar o ônibus para essa região de mananciais, sobretudo Marsilac, que era o caso, esbarra em questões ambientais sérias. Como se a linha de ônibus fosse estimular novas ocupações em um local que tem que ser preservado", afirmou. E completou: "Segundo eles (manifestantes) informaram, algumas autorizações da Secretaria do Municipal Verde já foram obtidas. Se isso for verdade, é mais fácil promover o atendimento."

O prefeito descartou que o problema seja econômico e disse que as linhas de ônibus na região não exigiriam uma alta quantia de recursos públicos. "Não é um problema de custo elevado. Estamos falando de pouca coisa." O que há na região, segundo Haddad, é um conflito entre o social e ambiental. "O problema é o eventual estímulo que novas linhas podem provocar na expansão da ocupação em uma área que tem que ser preservada, sobretudo agora com tantas contingências do ponto de vista de abastecimento de água e saneamento."

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