Moradores denunciam toque de recolher da PM

Policiais militares invadiram a favela do Jardim Jaqueline, na zona oeste de São Paulo, e impuseram toque de recolher anteontem à noite, segundo relatos de moradores. PMs teriam jogado bombas de efeito moral nas ruas que dão acesso à região, localizada atrás do Shopping Raposo Tavares, e ordenado que as pessoas entrassem em suas casas.

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2012 | 02h07

De acordo com uma moradora de uma das principais vias de acesso à favela, policiais começaram a dispersar os moradores no começo da noite, por volta das 19 horas. "Eu não deixei eles me verem e me escondi na varanda de casa quando passaram xingando todo mundo de vagabundo. A rua, que todo dia fica cheia, ficou completamente deserta."

Outra moradora explicou que conseguiu ouvir o barulho das motos rondando as ruas próximas à favela desde as 20 horas de terça. "A gente pensava que polícia fosse para proteger, mas eles fizeram um terror com os moradores", disse. "As pessoas saíram das vielas correndo, avisando que estava uma bagunça."

Um cabeleireiro de 40 anos estava voltando para casa quando foi parado em uma blitz com dois carros da PM e motos da Rocam. Policiais armados o fizeram descer de seu automóvel e apresentar os documentos. Ele foi liberado depois de provar que era um comerciante local. "PMs falaram para eu assumir que era o dono da boca ou iam dar um tiro na minha cara, foi chocante", relatou.

Durante toda a manhã de ontem, a região estava deserta e os moradores que saíram para trabalhar estavam com medo de atravessar a favela. "Eu fiquei assustada porque não moro na região, mas preciso passar por lá para chegar à minha casa", disse uma empregada doméstica, de 48 anos, que mora ao lado da favela.

A Polícia Militar afirmou que esta não é a conduta dos policiais quando estão em atividades operacionais. "A instituição é legalista e não compactua com desvio de conduta", afirmou, por meio de nota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.