Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Moradores de prédio atingido por incêndio passam a noite na rua

Eles se negam a ir para os abrigos oferecidos pela Prefeitura

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 09h02
Atualizado 02 Maio 2018 | 12h45

Correções: 02/05/2018 | 12h45

SÃO PAULO - Parte dos antigos moradores do Edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou na madrugada de terça-feira, 1°, passou a noite em colchões e barracas no Largo do Paiçandu, em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Livres, no centro da cidade de São Paulo. Segundo Ricardo Luciano, coordenador o Movimento Luta por Moradia Digna (LMD), de 100 a 120 pessoas dormiram no local.

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Na manhã desta quarta-feira, 2, algumas dezenas de pessoas permaneciam no local. De acordo com o movimento, a permanência é uma forma de pressionar o poder público a conseguir uma moradia definitiva. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento, 61 moradores aceitaram acolhimento e estão no centro temporário de acolhida Prates, também na região central. Há relatos de pessoas que foram para outras ocupações.

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O movimento reivindica que a Prefeitura disponibilize uma tenda (para instalarem uma cozinha provisória) e banheiros químicos. 

Moradora do edifício há cinco anos, Lohany Mickely, de 37 anos, passou a noite em um colchão doado em frente à igreja. Ela relata ter sido acordado por seu cachorro, Mailo, na madrugada no incêndio. "Ele ficava mordiscando, arranhando a porta. Aí seguimos ele", conta. Ela diz ter conseguido apenas salvar o cão e o celular dela e do marido.

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Ela diz que a noite no largo foi "estranha e tranquila" e que ainda não sabe onde vai dormir nesta quarta-feira. Lohany não pretende ir para um abrigo temporário, mas tem interesse em receber o aluguel-social de R$ 400, ofertado pelo Governo do Estado.

Também no largo, Leig Laura Aprigio, de 36 anos, passou a noite em uma barraca emprestada junto do marido e dos filhos, de 8 e 15 anos. "Ainda bem que teve a barraca, porque estava muito frio de noite", conta. Eles estavam no edifício havia menos de um mês após terem sido expulsos de uma casa que invadiram em Bertioga, no litoral paulista. "Uma mulher, a Selma, me convidou. Durou nem um mês", lamenta.

Já o vendedor ambulante Cláudio Maciel, de 34 anos, dormiu no largo para apoiar o movimento. Em situação de rua há 18 anos, ele costuma passar as noites no entorno, na Avenida São João. "Eles sempre me ajudaram, por que não vou ajudar?", conta ele, que costumava frequentar o edifício para tomar banho e fazer refeições.

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02/05/2018 | 12h45

Mais cedo, o Estado publicou o relato de Maria Carmelita Santos de Jesus, que está no local. Contudo, segundo movimentos sociais, ela não residia no prédio.
 

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