Moradores de Paraisópolis acusam PM de truculência

Em abordagem, policiais teriam disparado várias vezes, ateado fogo e destruído bar em um campo de futebol

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h03

Moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, acusam a Polícia Militar de ter agido com violência durante uma abordagem, realizada na quarta-feira à noite, no campo de futebol da Associação Palmeirinha. Eles dizem que policiais dispararam várias vezes, agrediram moradores, colocaram fogo em uma moto e destruíram um bar.

Os moradores dizem que, por volta das 22h30, policiais da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) ordenaram que um comerciante de 57 anos fechasse um bar. Em seguida, segundo a versão dos moradores, os policiais quebraram geladeira, televisão, copos, garrafas e outros objetos.

O dono do estabelecimento afirmou no boletim de ocorrência que foi ameaçado de morte por um dos policiais militares. "Vou te matar", teria dito o policial, com uma arma apontada para a cabeça dele. Os policiais teriam também agredido uma cliente do bar, quando ela tentava se proteger.

Um dos moradores, um caseiro de 33 anos, disse que ouviu tiros e, quando voltava para ver o que tinha acontecido, foi agredido com tapas no rosto e chutes na barriga. "Eles quebraram um celular, levaram outro e rasgaram o dinheiro que eu tinha na minha frente."

Uma dona de casa de 47 anos disse que teve um mal-estar enquanto as cenas de violência ocorriam na viela ao lado do campo. "Eles gritavam 'volta para trás, bando de favelado'. Eu tenho pressão alta. Foi um terror."

Um entregador de 23 anos afirmou que teve parte da moto queimada pelos PMs. "Vai custar uns R$ 2 mil para consertar", disse. Segundo moradores, a Força Tática deu apoio à ação da Rocam. Um dos diretores do Palmeirinha disse ontem que pessoas que andam com o uniforme do clube são visadas pelos policiais militares no bairro.

Não é a primeira vez que moradores da comunidade vizinha do Morumbi reclamam de violência policial. Durante a Operação Saturação, de 2009, a PM ocupou o bairro por 82 dias, provocando queixas de abuso. Neste ano, escutas flagraram ligações entre pelo menos um PM da Rocam com criminosos que atuam no local.

Investigação. O caso foi registrado pelos moradores no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi) como abuso de autoridade, dano ao patrimônio e roubo praticados por seis PMs não identificados. O delegado titular do distrito, Iraí Santos de Paula, determinou ontem a abertura de inquérito para investigar o que aconteceu. "Toda ocorrência que chega é apurada com rigor e imparcialidade", disse.

A PM afirmou que repudia qualquer desvio de conduta de seus integrantes, pois tem como missões a proteção das pessoas e o cumprimento das leis. Disse também que todas as denúncias são apuradas pela Corregedoria. A respeito dos fatos relatados, ainda não tem conhecimento das declarações das vítimas.

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